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Comecei
a praticar Aikido em Janeiro de 1983. Tinha na altura 11 anos de idade.
Não posso dizer que tenha sido amor à primeira vista – lamento –
mas por uma questão de conveniência. O Judo era demasiado popular, o
que não me atraía, no Karate exigia-se um atestado médico, o que era
pouco prático e sobrava o Aikido, no clube onde ia começar a minha prática.
Creio que este nome estranho me atraiu, também, mas poderia ter sido
outro qualquer. Desde muito cedo, habituei-me a conhecer e a conviver
com uma parte do universo do Aikido. Não sabia é que era tão pequena,
até há bem pouco tempo. Hoje, passados quase vinte anos de ligação
à arte, sinto que a minha visão do universo do Aikido, em Portugal, é
substancialmente diferente. Poder-se-ia pensar em vários motivos para
tal mas, na verdade, ela deve-se essencialmente a um – elaboração
de um trabalho sobre a história e presente do Aikido em Portugal.
Em
1998, tomei a iniciativa de colaborar e dirigir a redacção do jornal
periódico da minha escola - “Yamabushi”. A minha escola,
Aiki-Shuren Dojo de Portugal, como todas, provavelmente, tem, teve ou
vai tendo, uma publicação periódica, mais ou menos amadora, para
divulgar notícias, eventos, mensagens, etc. A certa altura, motivado
pelo desejo de divulgar a mensagem da escola, que acho fantástica e
merecedora de ser conhecida, ocorreu-me uma ideia. Se o meu desejo era
que as outras escolas conhecessem o que estávamos a ensinar, o melhor
era dar a conhecer o que elas também tinham para dizer. De um
ponto de vista extremamente prático aquilo que pensei foi: os
praticantes vão querer ler, naturalmente, um jornal em que saia a sua
escola e, assim, acabarão também por conhecer a nossa mensagem. Por
outro lado, senti que poderia abrir um precedente importante - intercâmbio.
As
escolas vivem orgulhosamente fechadas sobre si mesmas. Todas consideram
que sabem o que as outras fazem e que são as melhores. Claro! Este
sentimento tem criado entre os praticantes uma certa arrogância, o que
leva a um distanciamento e frieza, que todos podemos sentir, em maior ou
menor grau. A consequência é a ignorância generalizada sobre o que se
passa na “casa dos outros”. Este trabalho poderia ser uma
oportunidade para os diversos líderes do Aikido se expressarem. Assim,
cada um falaria de si e todos teríamos a oportunidade de ouvir.
Como
disse o grande mestre de Karate Shotokai, Tetsuji Murakami, “O Caminho
faz-se caminhando”. Realmente, assim é. Este trabalho vai ganhando os
seus contornos à medida que vai sendo realizado. Pretendo que seja um
trabalho aberto, ou seja, que todos aqueles que desejem colaborar o façam,
efectivamente. E, principalmente, que seja um trabalho sempre a ser
actualizado. A primeira fase, em que ainda estou, consistiu em reunir-me
com todas as pessoas ligadas à arte, desde a sua implantação em
Portugal, que tenham tido um papel relevante na divulgação da mesma.
As entrevistas que realizei foram sobretudo conversas. Apesar das minhas
limitações, enquanto entrevistador, tentei traçar a história da arte
em Portugal e procurei dar a conhecer as ideias do entrevistado. As
entrevistas serão publicadas à medida que vão estando prontas.
Uma
vez que as entrevistas saíram de um ambiente informal é natural que
muitas coisas ditas, quando analisadas mais tarde, a frio, fossem passíveis
de serem corrigidas ou até mesmo eliminadas. Por isso, mantive-me
sempre firme na determinação de publicar as entrevistas com a colaboração
dos entrevistados, isto é, sendo eles a terem a palavra final sobre o
que ia ser divulgado. Mas faço esta ressalva, as entrevistas foram
realizadas de uma forma muito espontânea, em que nem sempre se seguiu
uma linha de perguntas coerente e lógica e é preciso levar isso em
conta. Digamos que a conversa decorreu conforme se lê.
Há
agradecimentos a fazer. Primeiro, a todos os entrevistados, porque
adorei conhecê-los. Foram de uma amabilidade inexcedível, recebendo-me
até, nalguns casos, na sua própria casa. E isso não vou
esquecer. Em segundo, às pessoas que me ajudaram a trabalhar as
entrevistas (que aparecerão numa lista específica de agradecimentos).
E, em terceiro, aqueles que tornaram este trabalho realidade, quer pelo
seu esforço, quer pela sua motivação: Miguel Castro Caldas, José
Patrão, Centro de Artes Orientais, Tristão da Cunha, Teresa Garcia e
família Escudeiro. O Miguel Castro Caldas é a primeira aquisição do
“Aikido em Portugal”, é o responsável pela publicação, correcção
de textos e muito mais que está para vir. Neste momento é co-autor do
trabalho. Gostaria, ainda, de deixar uma palavra de respeito ao já
saudoso Engenheiro Sebastião Durão, falecido em Maio de 2002, que foi
um dos sócios fundadores, e durante décadas Presidente, da União
Portuguesa de Budo, que ainda tive o privilégio de conhecer e
entrevistar. A paixão que manifestou pelas Artes Marciais genuínas foi
absolutamente admirável.
Um
apelo - todos aqueles que tenham algo que sintam que pode acrescentar ao
“Aikido em Portugal”, passado, presente e futuro, seja na forma de
testemunhos, entrevistas, textos, fotografias, pistas, dúvidas, sugestões,
etc., por favor contactem-me, pois tenho todo o gosto em incluir isso no
trabalho. Este trabalho é de aikidocas, para aikidocas e todos os
demais interessados. Esta publicação é só a primeira forma de
divulgar este trabalho, haverá outras, no futuro.
Pedro
Escudeiro |