|
Por:
Júlio da Silva

Pashupati:
o Senhor dos Animais
Sumário
Introdução
Período Histórico
Características Sócio-Culturais
Extinção: invasões ou causas naturais?
Conclusão
Bibliografia
É apresentada neste trabalho, de forma resumida, a antiga civilização do
Vale do Indo, hoje mais comummente conhecida por civilização Harappiana.
Será apresentado um contexto histórico que permita situar o momento em
que se desenvolveu esta civilização, as suas características sociais,
económicas e culturais.
Tudo isto será feito recorrendo ao que de mais recente se pode concluir
e afirmar pelos factos disponibilizados pelas mais recentes
investigações em curso nas escavações arqueológicas naquela região e
pelos estudos efectuados nas escrituras antigas do Hinduísmo.
Será também feita uma breve análise sobre as várias teorias que tentam
explicar o desaparecimento ainda envolto em mistério desta civilização.
É também o objectivo deste trabalho tentar trazer o maior número de
ideias de diferentes escolas de investigação sobre esta cultura e estes
tempos, que permita de forma breve coligir a ideia geral por detrás
desta civilização e das diferentes interpretações possíveis e existentes
actualmente sobre a mesma.
Esta foi uma civilização relacionada com as origens do
Yôga,
pois encontraram-se vários vestígios arqueológicos que demonstram que
este povo era shivaísta (Shiva - o criador do
Yôga),
como são os casos de selos com a figura de Pashupati, o senhor
dos animais.
Procurar-se-á sempre que possível mostrar a ligação entre esta
civilização e as origens do
Yôga,
mais concretamente ao Swásthya
Yôga,
sistematização do
Yôga
Antigo, o
Yôga
Ultra-Integral, de raízes muito antigas,
Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya
Yôga.
O Swásthya
Yôga
é um
Yôga
de linha Tantra, ou seja, matriarcal, sensorial e desrepressor, e
também de tendência Sámkhya. É assim de linha e tendência
Tantra-Sámkhya por oposição a Brahmácharya-Vêdanta, esta
última, a dominante actualmente na Índia (existindo mais recentemente
modas de Tantra-Vêdanta). Sendo esta última linha-tendência a
dominante na Índia actual, no entanto nem sempre foi assim. Há milhares
de anos, no período entre o final do Paleolítico, a Revolução Neolítica
e o início das Eras dos metais, os territórios que hoje constituem a
Índia e o Paquistão, foram habitados por uma civilização muito especial.
|
TS
(Tantra-Sámkhya) |
Pré-Clássico
Antes 1500 a.C. |
YÔGA
ANTIGO |
|
BS
(Brahmácharya-Sámkhya) |
Clássico
400 a.C. – 700 d.C. |
|
BV
(Brahmácharya-Vêdánta) |
Medieval |
YÔGA
MODERNO |
|
TV
(Tantra-Vêdánta) |
Contemporâneo |
Quadro 1 - Troncos
de yôga associados a um período histórico - Mestre DeRose.
Como afirma Sir Mortimer Wheeler, em [1], página 9: “Civilization,
in a minimum sense of term, is the art of living in towns, with all that
the condition implies in respect of social skills and discipline”.
Quando caracterizamos uma civilização estamos necessariamente a
falar de sedentarismo, de um povo que já tem por característica fixar-se
por um largo período de tempo numa determinada região. Esta definição
pressupõe que quando falamos de uma civilização estamos a falar de um
estado de desenvolvimento do ser humano caracterizado por ter passado a
ser maioritariamente sedentarista, e só muito ocasionalmente ter
comportamentos nómadas, motivados principalmente por trocas comerciais,
no caso de povos não-violentos.

Fig 1 e 2– Do lado
esquerdo fotografia das ruínas do celeiro de Harappa, e do lado direito
um desenho faz a sua reconstrução. Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [1]
Segundo o professor José Hermano Saraiva ao descrever o período
neolítico, “O famoso arqueólogo Gordon Childe usou, com mais êxito, a
expressão revolução neolítica, para pôr em relevo o carácter decisivo
das modificações. De facto, é então que se inicia a substituição da vida
nómada pela vida sedentária, e também parece começar então a luta do
Homem para vencer e pôr à sua mercê as forças produtivas da Natureza.
Dir-se-ia que na mente humana surgiram capacidades novas: a previsão do
tempo futuro e a planificação. Na fase anterior (Paleolítico), o Homem,
como os outros animais, estava inteiramente dependente, do mundo
natural. Mas agora ergue-se contra ele, e aparece animado pela
ambição de moldar um mundo para si: constrói a sua cidade, cria o seu
rebanho, premedita a sua sementeira. A partir de agora vão surgir, como
grandes condicionantes da vida humana, a economia, a cidade e a lei.”,
em [2], página 19.
É no
entanto importante referir que no Paleolítico Superior se encontram
vestígios daquilo que actualmente relacionamos com a cultura de onde vem
o Yôga, ou seja, e mais precisamente, diz-nos por exemplo Pierre
Levêque, que de um manancial de vestígios de obras de arte e pintura
desses tempos, que vão desde as pinturas nas cavernas até estátuas de
pedra e osso, duas grandes direcções estão abertas à investigação: “animais
que não são os da floresta, os da caça quotidiana, mas como que as suas
hipóstases, potências reguladoras da caça e dispensadoras das energias
da floresta, e por outro lado, mulheres que são também seres
sobrenaturais, deusas. Entre estes dois sectores existem
interligações que restabelecem a unidade do universo, por exemplo,
hierogamias das Mães de fecundidade com grandes cornudos, primeiro
aparecimento de um tema que não cessará de fecundar a imaginação
religiosa através do Neolítico e do Bronze, até à Grécia das cidades.”,
em [11], páginas 15 e 14. É muito tentador encontrar aqui a dualidade
Shiva-Shakti, os animais e o cornudo, que apontam para Pashupati,
Shiva, e a deusa que aponta para Shaktí. Mas isso veremos
mais adiante.

Fig 3 – Figura
feminina nua, apenas usando um colar, em pose sensual e descontraída,
impossível em sociedades patriarcais. Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [6]
Este
período Neolítico distingue-se em fases autónomas: antigo, médio e
final. Em Portugal o Neolítico Médio e Neolítico Final correspondem a
um intervalo de tempo entre 3800 a.C. e 2500 a.C.. Posterior a este
período segue-se o Megalítico (do grego mega, «grande» e
lithos, «pedra»), caracterizado pelos menires, cromeleques e os
alinhamentos de blocos de pedras. A partir daqui dá-se o início da Era
dos metais, onde se sabe que “Ao início da metalurgia em Portugal
anda ligada a teoria do colonialismo calcolítico egeu, segundo esta
interpretação vieram do mediterrâneo oriental (Anatólia, mar Egeu,
Egipto, Mesopotâmia) exploradores de cobre, metal que entretanto se
tornara muito procurado naquelas regiões que estavam em plena época do
bronze, liga em cuja composição o cobre era indispensável.”, em [2],
página 22.
Temos
assim o fim do Paleolítico, seguido do início do Neolítico,
posteriormente o Megalítico, e as sucessivas Eras dos metais, começando
no cobre, bronze e o ferro. Em relação ao ferro, posterior ao bronze,
temos que “O seu uso mais antigo aparece documentado na Anatólia,
nos meados do II milénio a.C. ”, em [2], página 25.
Diz-nos ainda Sir Mortimer Wheeler que “In the
fourth and third millennia, the Iranian plateau, riven by sharp uplands
and tumbling steeply to the flanking riverine plains of the
Tigris-Euphrates and the Indus, was the home of a multitude of disparate
societies, essentially neolithic but verging gradually upon a
stone-bronze (or chalcolithic) technology”, em [1], página 12.
As
escavações das cidades Mohenjo-Daro e Harappa, juntamente com mais umas
dezenas de outros locais de escavações, todos atribuídos à civilização
do Vale do Indo, pelas semelhanças das descobertas muito comuns entre
esses locais, apresentam uma civilização com traços de final do
neolítico, com toques de megalítico e início de idade do bronze. Pode-se
também apelidar de cultura calcolítica, ou como refere Sir Mortimer
Wheeler “[...] an alternative label, ‘Protometallic’, is scarcely
more elegant or exact.”, em [6], página 93.

Fig 4 – A
utilização do rio como meio de transporte, e o armazenamento dos cereais
em celeiros, sinais de sedentarização e início das civilizações.
Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [1]
O
facto de se estar a mencionar Portugal ao mesmo tempo que se tenta
caracterizar a civilização do Vale do Indo, prende-se com o facto de o
autor deste texto ser português, praticante de Swásthya Yôga, mas
mais importante para o contexto deste trabalho, por se saber que existem
vestígios das civilizações destes períodos em Portugal pois eram
civilizações que embora sediadas em determinadas regiões, se espalharam
pelo mundo mediterrânico, através do comércio e de migrações não
violentas. “Gracias al clima mediterráneo y del
Oriente Próximo, la agricultura, y por tanto la sedentarización y la
civilización, pudieron desarrollarse. Este es el verdadero
factor civilizador.”, como nos explica André Van Lysebeth, em [3],
página 30.
É
assim nesta época de transição entre o neolítico e a Era dos metais que
surgem as primeiras e mais antigas civilizações. A Suméria, o Egipto, a
Mesopotâmia, entre elas a civilização Harappiana, que ao longo dos
tempos vão influenciar uma vasta região desde o Vale do Indo até à
Europa mediterrânica e o norte de África.
Diz-nos Alain Daniélou que foi durante a Era Neolítica que apareceu uma
nova raça entre os Mundas na Índia. Eles tinham pele castanha, cabelo
liso, e falavam uma linguagem imperceptível.
Segundo Sir Mortimer Wheeler e com base em datações por Carbono 14
feitas às escavações, tudo aponta para um período mais concreto entre
2300-1750 a.C. como o intervalo de tempo em que estas cidades foram
criadas e se desenvolveram. E existem vestígios de contactos das tribos
que habitavam estas cidades com as antigas e proto-históricas
civilizações da Mesopotâmia, Anatólia, Egipto e Aegean. Existem provas
de contacto com Sargão da Akkadia (2370-2284 a.C), e com King Urnammu
(2100 a.C), e de qualquer das formas Mohenjo-Daro já existia muito antes
destes vestígios. Objectos de Mohenjo-Daro foram encontrados em Tel
Asmar e Tróia (2300 a.C), assim como também num túmulo real em Ur.
Sir
Mortimer Wheeler divide a existência desta civilização em várias fases.
A
primeira inicia-se em 2500 a.C. quando ideias sociais e de consciência
cívica que germinaram na Mesopotâmia foram fertilizar as tribos e
comunidades da fronteira Baluch-Indu, que produziu a civilização do Vale
do Indo. Por volta de 2000 a.C. esta civilização já dominava do Vale do
Indo até às costas ocidentais de Makran no norte do Golfo de Cambay.
Pouco antes da metade do segundo milénio, por volta de 1700 a.C.,
iniciou-se um declínio, estimulado talvez por alterações geomorfológicas
e inundações periódicas, que prepararam de certa forma para um final com
vestígios de invasões violentas. Se os invasores eram os arianos que os
hinos vêdicos descrevem sem sombra de dúvida ou se foram outros quaiquer
invasores, ou resultado de guerras internas, são tudo conjecturas, mas
um certo paralelismo pode ser feito entre os registos de invasões
arianas e as evidências arqueológicas em Mohenjo-Daro.

Fig
5 – Península Indo-Asiática.
Fonte: Sir M. Wheeler em [1]
A
segunda fase está relacionada com as regiões para Sul e Este da região
da primeira fase, perto das costas de Kathiawad (Saurashtra). Aqui a já
madura civilização do Vale do Indo ou civilização Harappiana estava
transmutada para uma era calcolítica, com pequenas cidades, que mostram
ligações e semelhanças com cidades do centro da Índia no segundo
milénio. Caracterizada pelo desenvolvimento de indústria do ferro e com
estilo de vida urbano, que aparece no início da primeira metade do
segundo milénio. Aqui floresceu a segunda fase da civilização indiana,
para a qual se utilizava o nome de Civilização do Ganges. Esta fase
marca o início do uso do ferro, tijolos cozidos em vez de tijolos de
lama, desenvolvimento urbano, que durará aproximadamente até 500 a.C.
A
terceira fase está relacionada com o propagar da civilização do Ganges
para a Índia Central, no vale de Narbada, o final da influência Persa e
início do império Mauryan, estabelecendo-se corredores seguros até aos
portos ocidentais, este sentimento de segurança e confiança pode ser
interpretado como resultado do florescer do intelecto e do espírito que
encontrou expressão no crescimento do Budismo e do Jainismo.
A
quarta e última fase decorre até ao primeiro século a.C. e
caracteriza-se pela expansão do império Mauryan para o sul cobrindo toda
a Península Indiana pelo menos até ao rio Khrisna na região de
Amaravati.
Estas
quatro fases resultam de provas arqueológicas existentes que permitem
documentar um período que vai de 3000 a.C. até quase ao início da nossa
Era.
Os
Persas estiveram no noroeste da Índia entre 500-300 a.C., posteriormente
um jovem príncipe criou o Império Mauna, e Ashoka, seu neto, foi o
governante que mais marcou a Índia antiga.
Nos
séculos seguintes, formaram-se vários reinos, todos independentes, e com
características culturais e linguísticas diferentes.
O
contexto político-organizativo em que esta civilização existiu é
ligeiramente diferente das suas civilizações contemporâneas, poderá
assim ser considerado não como regiões-estados-impérios, como era o caso
do Egipto, mas mais numa dimensão de cidades-estado como nos diz João
Ferreira do Amaral: “Um segundo tipo de unidades políticas eram as
cidades-estado mais ou menos independentes, algumas vezes integradas em
impérios [...] Na Índia estava em pleno florescimento e já desde a
metade do terceiro milénio a.C., a civilização urbana do Indo, de que os
locais mais emblemáticos são Harappa e Mohenjo-Daro, estabelecendo
contactos comerciais intensos com a Suméria (os sumérios designavam a
região por Melukhkha), e recebendo delas influências directas. Usava uma
escrita hieroglífica, ainda não decifrada e entrou em decadência no
século XVIII a.C., desaparecendo progressivamente por essa altura.”,
em [5], página 17. Estas trocas comerciais são também defendidas por
Pierre Lévêque que mostra que os Sumérios faziam comércio longínquo com
o Egipto ou com as regiões do Indo para aquisições de metais e pedras
preciosas.

Fig
6 – Civilizações do 3º Milénio.
Fonte: João Ferreira do Amaral em [5]
Esta
civilização do Vale do Indo é portanto contemporânea dos impérios do
Egipto, Mesopotâmia, e da Suméria, apresentando uma estrutura social
tendo no topo um género de rei e ou sacerdote, pelo menos é o que se
interpreta das citadelas descobertas (edifícios elevados sobre a cidade)
onde habitava um género de juiz ou regulador municipal. A maioria das
cidades apresentam sinais de serem habitadas por uma classe-média
próspera, organizada sob o controlo de uma estrutura municipal, fruto de
uma aparente consciência cívica.
A
arquitectura destas cidades revelam um dos mais antigos exemplos de
planeamento citadino, com desenho geométrico de ruas, as quais são
largas orientadas de sul para norte, com ângulos rectos entre ruas, com
blocos de casas em “grelha” orientados no sentido dos pontos cardinais.
As casas geralmente tinham divisões amplas, que englobavam quartos,
jardim, terraço, quarto de banhos. Eram cidades com sistema de esgotos e
canalização dentro das casas com ligações a uma rede pública de
saneamento, o que faz inveja a muitas zonas actuais do planeta.

Fig 7 – Harappa,
Fonte: Sir Mortimer Wheeler
em [1]
Foram encontrados nas
cidades escavadas alguns cemitérios, com os corpos posicionados de norte
para sul com a cabeça para norte.
Foram encontradas
estátuas com representações da Deusa-Mãe, e foram também encontradas
estátuas de uma figura masculina que parece a de um sacerdote ou
religioso superior, ou rei.
Existem vestígios de
adoração da Deusa-Mãe, e outros que sugerem a adoração do touro, dos
cornos, do falo.
Foram
encontrados pilares de pedra preta (adoração ao falo de Shiva
como princípio criativo). Estas são as mais antigas formas de adoração,
mostrando rituais ainda simples, que depois foram substituídos pelos
rituais dos brâmanes que passaram a ter exclusividade neste
papel.

Fig
8 – Mohenjo-Daro, Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [1]
Temos
portanto num mesmo local vestígios de uma sociedade que adora a
natureza, o falo, a yôni, tipicamente animista, misturada com
vestígios de entidades superiores como sacerdotes ou reis. Este
sacerdote ou rei pode ser muita coisa ou coisa nenhuma. Ou seja, pode de
facto simbolizar alguma figura da sociedade pós-dravidiana, já numa
estrutura patriarcal, um sacerdote vêdánta, ou poderá tão simplesmente
ser uma homenagem a alguém importante, mesmo que fosse num tempo ainda
dravidiano. Os aposentos que se atribuem aos padres, os santuários
vêdánta num mesmo local em que existem estes vestígios de paganismo,
animismo, comprovam a existência de duas estruturas religiosas
diferentes ao mesmo tempo, uma mais ligada a sociedade matriarcal e
outra a sociedade patriarcal, pelo que algures no tempo existiu aqui uma
junção, uma existência conjunta destas duas formas, dravidiana por um
lado e ariana por outro.

Fig
9 – Padre, Rei ou Divindade, Mohenjo-Daro. Fonte: Sir Wheeler em [1]
Nestas civilizações do neolítico até
à idade do bronze, e pouco depois, as famílias desempenham um papel
importante na comunidade. Como nos diz Pierre Levêque no paleolítico os
casais formam-se por adesão ou rapto e são facilmente dissociáveis, mas
na aldeia neolítica temos o casal estável sob a autoridade do, ou da,
chefe de família.
Nestes
tempos de revolução neolítica verifica-se que as formas ideológicas
evolvem fortemente, no entanto a Mãe de fecundidade estende doravante a
sua protecção não aos nómadas mas aos agricultores, tornando-se também
mãe da fertilidade, ao mesmo tempo que os seus poderes sobre os mortos
são ainda mais evidenciados. Verifica-se um aumento de estatuetas das
deusas nos santuários e nos celeiros das aldeias, fixando-se um mundo
sobrenatural estável organizado à volta destas Grandes Deusas (também
denominadas de Terras-Mães): “promotoras indissoluvelmente de
fertilidade/fecundidade/vida eterna. Estrutura que vai enformar o
pensamento religioso durante milénios à volta da prepotência de uma Mãe,
acompanhada dos seus filhos, e de um paredro masculino muito nitidamente
dominado por ela e que apresenta muitas vezes com forma de animal
(touro, carneiro, ave...)”, em [11], páginas 18 e 19. Aqui
claramente vestígios de uma cultura matriarcal, uma das evidências da
filosofia comportamental, Tantra, característica do nosso
Yôga,
o Swásthya
Yôga.

Fig 10 - Duas
reconstruções que ilustram o Grande Balneário de Mohenjo-daro, nas suas
duas fases, os edifícios a norte são quartos com balneários privados,
possivelmente para padres. Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [1]
Eram
também as mulheres que realizavam e dominavam a maior parte dos
rituais, claro que os homens também os podiam realizar. Os textos da
Suméria e Mesopotâmia “... apresentam a mágica pelo sumerograma SU.GI
(a “velha”) ou pela palavra hitita hasawa que se aproxima de hasnupalla
(“Parteira”). Toda a sociedade hitita desde a família reinante ao mais
humilde dos súbditos, fazia apelo num dia ou noutro aos seus serviços.
Uma “Grande das mágicas” presidia a esta importante corporação. No
desempenho das suas funções, elas empregavam ingredientes variados
(metais, tecidos, lã, terra, produtos, animais, plantas, etc).[...] A
mágica confeccionava um substituto do doente que era preciso curar. Os
demónios, causa da doença, passariam então para a figurinha feita à
imagem do paciente.”, em [12], página 249.
Até
há bem pouco tempo julgava-se que o Yôga teria sido um produto
trazido para a Índia por povos bárbaros por volta de 1500 anos antes da
nossa Era. Em grande medida assim se pensava porque se crê que o
sânscrito é língua trazida pelos povos bárbaros, era a língua dos
deuses, dos sacerdotes, e os 50 caracteres do alfabeto dêvanágari
estão intrinsecamente ligados com práticas de Yôga, nomeadamente
ao Mantra onde, em grande medida, os bíjas são a repetição
de letras deste alfabeto sânscrito utilizados, entre outras coisas, para
desobstruir as nádí, estimular kundaliní, e estimular os
chakra. A cada um destes 7 principais chakra correspondem
bíjas
,
representados graficamente por caracteres de sânscrito. Logo,
como o sânscrito vinha com os povos invasores, pensava-se que seriam
também eles os transportadores do Yôga para a Índia.
|
Chakra |
Região |
Bíja |
|
Múládhára |
Sacra |
Lam |
|
Swásdhithána |
Coccígea |
Vam |
|
Manipura |
Lombar |
Ram |
|
Anáhata |
Dorsal |
Yam |
|
Vishuddha |
Cervical |
Ham |
|
Ájña |
Craniana/Frontal |
Ôm
|
|
Sahásrara |
Craniana/Coronária |
Quadro
2 – Os Chakra, localização no corpo físico, e respectivo Bíja.
Extraído do livro Chakras e Kundaliní, Mestre DeRose
Mais
recentemente no século XX a ciência comprovou que o Yôga já
existia na Índia muito tempo antes dessas invasões bárbaras, através de
artefactos arqueológicos descobertos em várias zonas destacando-se as
cidades de Harappa, Mohenjo-Daro e um outro local denominado Lôthal,
entre outros. A descoberta de um selo com a figura de Shiva, na sua
variante Pashupati, senhor dos animais, vem provar que esta
civilização já praticava Yôga, pelo menos na vertente das
posições físicas do corpo humano, os Ásana.
No
entanto outras interpretações poderão também mostrar a existência de
técnicas de meditação, como nos diz Clyde Winters em [9] que: “The
posture of the man in the attitude of a yogi clearly suggest the
practice of yoga among the Harappans. The
buffalo-horn headdress indicates that this figure was a Dravidian
dignitary, i.e., ‘ a man with horns’. The association of this figure
surrounded by various zoomorphic deities of the Harappans, suggest that
this seal encouraged its bearer to train his consciousness for a state
of perfect spiritual insight and tranquility, so he could serve his God.
The search of the Yogi for discipline of his mind and body, explains the
wish inscription above the yogi figure :” Fate [provides]
illumination,(and) increase God’s Justice. Preserve (my)
righteousness and the Glory (of your) servant”.
|
Cronologia
Histórica
do YÔGA |
|
Divisão |
Yôga
Antigo |
Yôga
Moderno |
|
Tendência |
Sámkhya |
Vêdánta |
|
Período |
Yôga
Pré-Clássico |
Yôga
Clássico |
Yôga
Medieval |
Yôga
Contemporâneo |
|
Época |
Mais
de 5.000
anos |
séc. III
a.C. |
séc. VIII
d.C. |
séc.
XI
d.C. |
Século
XX |
|
Mestre |
Shiva |
Pátañjali |
Shankara |
Gôrakshanatha |
Aurobindo
Rámakrishna
Vivêkánanda
Shivánanda
Chidánanda
Krishnánanda
Yôgêndra |
|
|
Literatura |
Upanishad |
Yôga Sútra |
Vivêka
Chudamani |
Hatha
Yôga |
|
|
Fase |
Proto-Histórica |
Histórica |
|
Fonte |
Shruti |
Smriti |
|
Povo |
Drávida |
Árya |
|
Linha |
Tantra |
Brahmácharya |
Quadro
3 – Extraído do livro “Yôga, Mitos e Verdades”, de Mestre DeRose

Fig 11 – Selo com figura de Pashupati,
Senhor dos Animais, uma das representações de Shiva. Fonte: Sir Mortimer
Wheeler em [6]
Segundo
Alain Daniélou existem várias fontes indianas e com confirmação
arqueológica, de que foi durante o sexto milénio a.C., um período que
mais ou menos corresponde à revolução neolítica, que teve origem, foi
revelado, foi codificado, o shivaísmo. Esta grande religião derivou de
cultos que remotam ao homem pré-histórico relacionados com o animismo.
Os rituais Shivaístas e os seus símbolos começam por aparecer mais ou
menos ao mesmo tempo na Índia e pela Europa: o culto do touro, dos
cornos, do falo, a cobra, a senhora das montanhas, danças sensuais,
sacrifícios, etc. Um grande movimento cultural a partir da Índia até
Portugal teve lugar em 6000 a.C. Este movimento é aparentemente
relacionado com o Shivaísmo e é caracterizado por uma arte naturalista
dando grande importância aos animais. A principal manifestação do Deus
do Shivaísmo tem a sua representação no touro, ou num homem com cara de
touro, ou um touro com cara de homem. O selo referido em cima encontrado
em Mohenjo-Daro retrata Pashupati, onde podemos ver um homem com
três faces e cornos como os de um touro.
Surgidos no neolítico entre o Mundas, as suas origens são ainda obscuras
mas eles e a sua religião, o shivaísmo, tiveram um papel importante na
história da humanidade. Como ensina Daniélou, alguns mitos apontam para
a perdida Atlantis, da qual diversos grupos de sobreviventes foram dar a
outras paragens como África e o Mediterrâneo. Os povos que povoaram a
ilha grega de Minos não se pode dizer com precisão se eram oriundos da
Anatólia, Pelasgo, Proto-Indo-Europeu, etc. A cultura e linguagem
dravidiana é ainda hoje utilizada no sul da Índia, parecendo ter
espalhado a sua influência da Índia para o mediterrâneo antes das
invasões arianas. Foi esta civilização que serviu de veículo à
propagação do shivaísmo, sendo visíveis as semelhanças de famílias
linguísticas do Tamil dravidiano com o Basco (Eskuara), Georgiano,
Creta, Suméria, etc. Danças e canções Bascas são parecidas com as dos
caucasianos Ibéricos. Os vestígios vão por todo o mediterrâneo, existem
inscrições em Praisos em caracteres gregos, que aparentam ser uma
linguagem dravidiana. Modernos linguistas utilizam surpreendentemente
hoje em dia aglutinadas linguagens dravidianas, que são largamente
faladas no sul da Índia, como base para compreensão e pesquisa das
línguas antigas do mundo mediterrânico. Os monumentos megalíticos
existentes desde a Índia até à ilha da Grã-Bretanha
indicam que esta civilização foi o veículo do Shivaísmo. Após a última
idade do gelo ocorreram grandes imigrações da Índia até Portugal, pois
as condições climatéricas começaram finalmente a proporcionar um
ambiente mais temperado que permitiu a expansão desta civilização
agrícola. Esta cultura carrega os selos do pensamento Shivaísta, mitos e
símbolos, e todos eles são mais ou menos contemporâneos nas cidades do
Indo, Suméria, Creta e Malta. Os santuários megalíticos que são
encontrados em toda a parte desde a Índia até às ilhas Britânicas
pertence à mesma cultura.
Os
indígenas, na zona onde os drávida se estabeleceram, seriam um povo de
pele escura e narizes pequenos. Quando aos drávida em si pouco se sabe
das suas características étnicas. Porém, veneravam o falo (Shiva dêva).
Tinham grandes terras e viviam em cidades fortificadas. Os textos
vêdicos evocam lutas contra os dasya, os continuadores da
civilização do Indo que rejeitaram o culto vêdico.
Existem algumas teorias que no entanto lutam por contrariar esta
dualidade entre drávidas e arianos, invasores e massacrados, bárbaros e
civilizados, fazendo passar a ideia de que nunca existiu nenhuma invasão
e de que na realidade são uma e a mesma coisa. Isto porque, inclusive, o
norte e sul da Índia partilham uma mesma cultura e religião. Por outro
lado houve a tentativa de caracterizar o Shivaísmo do sul como
não-vêdico ou não-ariano. No entanto, o Deus Shiva claramente é
sinónimo com o Deus Rudra, o qual também partilha muitas
características com outras divindades vêdicas, tais como Agni, Indra
e Soma. Adicionalmente, o Deus Shiva é uma divindade mais de
perto associada com o rio Ganges do norte da Índia.
Parece-me das variadas teorias existentes que existe uma boa
possibilidade de na realidade serem dois povos diferentes mas uma mesma
“cultura resultante”, fará mais sentido. Ou seja, a invasão existiu e os
invasores arianos trouxeram uma escrita e uma língua que se veio impor
mas para escrever e documentar uma cultura bem mais antiga e avançada.
Essa cultura inicial sofreu uma adaptação para o domínio do patriarcal,
e recebeu uma enormidade de deuses e mitologia vêdica própria dos
bárbaros, sendo que embora adulterando e mascarando a cultura dravidiana,
a cultura vêdica limita-se a ser o resultado da junção da ariana com a
dravidiana, a junção do poder e cultura bárbara de sacrifícios às
divindades, patriarcal, juntamente com toda a cultura dos símbolos e
técnicas de um sistema matriarcal, adorador da Deusa, de Shiva-Shakti,
da Yôni, do Lingam, do princípio criador feminino, e
em certa medida também, do Yôga.
Daí
que alguns autores afirmem que embora subvertendo e adulterando, dando
uma vestimenta mística e vêdica, toda a cultura pós-invasões, toda a
cultura que começa a escrever as primeiras obras, os primeiros vêda,
veio também garantir, ainda que escondido e difícil de filtrar, que o
Yôga e a cultura dravidiana não se perdesse. Em certa medida também
se pensa que o Atharva-Vêda, que é o 4º e último a ser escrito,
no entanto o seu conteúdo reporta-se a realidades anteriores às
relatadas no Rig Vêda, mais propriamente ao povo dravidiano e que
vai bem para trás, para esse povo do neolítico, matriarcal, desrepressor
e sensorial. Como nos diz Mestre Sérgio Santos: ”O Atharva Vêda,
parte integrante de tal literatura, é o livro mais próximo do cotidiano
do povo harappiano. Ele prescreve várias receitas para uma vida longa e
para a felicidade e fazem-se homenagens à beleza e à fertilidade da
terra: “Oh, terra! Agradável pelas tuas colinas, montanhas cobertas de
neve e florestas; castanha, negra e avermelhada e de todas as cores...”,
em [14], página 33.
Alain
Daniélou, Marija Gimbutas, e outros autores, defendem que os arianos,
erradamente apelidados de Indo-Europeus, eram originários de uma região
localizada na actual Rússia e invadiram a Índia, o Médio-Oriente e a
Europa.
Por
outro lado existem autores que dizem que os arianos e os drávidas eram
um único povo. Existe a ideia de que os arianos pertenciam à espécie
humana caucasiana, tipicamente de estatura alta, cabelo loiro, olhos
azuis, originário da Ásia central, bárbaro e nómada. No entanto, outros
autores defendem que na realidade os caucasianos aparecem ao longo da
história com as mais diferentes características físicas, sendo que
existem desde os caucasianos loiros e de olhos azuis até a outros quase
negros. Tudo depende do local em que habitam no nosso planeta.
Existem provas de que embora os esqueletos encontrados nos cemitérios em
Harappa e Mohenjo-Daro sejam bastante cosmopolitas, todos se assemelham
muito aos drávidas actuais do sul da Índia e aos aborígenes
australianos.
Poder-se-ia perguntar que, se existiram invasões então onde estão na
Índia os descendentes dos olhos azuis e loiros? Há quem defenda que
estão na Índia só que já não são loiros e nem têm olhos azuis, já serão
um pouco mais escuros e de estatura média-baixa. A biologia e a genética
explicam o que resulta do cruzamento de um nórdico com um latino, em que
regra geral os genes dos latinos escuros ganham a luta da sobrevivência
da “raça”, como aliás me recordo de ter crescido a ouvir dos meus pais,
ex-colonizadores de África: “o cruzamento entre um branco e um indígena,
produz um indígena”.
Em
relação ás origens dos arianos, George Feuerstein defende que M.
Gimbutas e outros autores estão enganados quando defendem que os arianos
são originários da Ásia Central, afirmando que esses autores se baseiam
em simples possibilidades e conclusões em certa medida grosseiras.
Defende também que as ideias de que os arianos (bárbaros e patriarcais),
vieram da Ásia até ao norte da Índia, e se espalharam pela velha Europa
aniquilando uma sociedade matriarcal e adoradora da Deusa, ao mesmo
tempo que introduziam os seus deuses masculinos, são tudo teorias pouco
consistentes, pois baseiam-se em análises das Línguas. Afirma Feuerstein
que as origens das línguas são matéria sempre muito incerta e que nunca
iremos ter certezas seguras, pois quando falamos e escrevemos de
história estamos a simplificar, e necessariamente a omitir. O certo é
que a teoria deste autor, que defende que nunca existiram invasões
arianas, apresenta-se como um tipo de verdade absoluta, sem lugar para
nenhuma dúvida possível, o que parece contraditório e talvez mais
redutor do que a crítica que faz a outros autores.
Nos
textos vêdicos a palavra Arya significa nobre ou senhor, era
assim que os arianos se tratavam a si próprios. Existirá uma semelhança
entre Aria, Irão e Eire (antigo nome da actual Irlanda), o que poderá
servir de prova às teorias que defendem a existência de uma expansão
conquistadora, feita pelos arianos, que vieram da Ásia central até à
Índia, e que continuaram pelo Médio Oriente, Europa, Mediterrâneo, e
Ilhas Britânicas. Por outro lado as línguas destes povos são parecidas,
têm semelhanças, são todas línguas Indo-Europeias.
Um tema que não poderíamos deixar de mencionar
foi quando Hitler e os Nazis, que se apropriaram do termo Árya e
da Swástika, alegando que seriam eles os descendentes dos grandes
conquistadores que alguns milhares de anos antes saíram da região da
actual Rússia e que foram conquistar toda a Ásia Central, Índia,
Mediterrâneo, norte de África, Europa, até lá acima à Grã-Bretanha.
Tanto pensavam ser os descendentes que quiseram mesmo no século XX
repetir a proeza.
Estes povos bárbaros durante esse avanço
conquistador teriam levado os cavalos e os carros de combate para a
Índia, Egipto e Grécia, onde por volta de 2000 ou 3000 anos a.C. ainda
não existiam. Embora também existem autores que pretendam hoje
justificar que os cavalos já existiam na civilização do Vale do Indo. Os
carros de combate puxados por cavalos foram desenvolvidos antes de 3000
a.C. e ofereceram aos guerreiros uma plataforma estável a partir da qual
podiam disparar setas e lanças aos seus inimigos. O cavalo, que foi
domesticado provavelmente por volta de 4000 a.C. nas estepes
euroasiáticas, foi de grande importância para o povo que escreveu o
Rig-Vêda porque o guerreiro a cavalo conseguia facilmente manobrar à
volta do seu inimigo que se deslocava a pé.
Segundo Shri DeRose, e abordando já um pouquinho do que mais adiante se
fala sobre a polémica das teorias das invasões Arianas, apresenta-se no
quadro 2 a estrutura do
Hinduísmo. “...recordemo-nos de que o
Yôga surgiu séculos antes do
advento do Shruti, numa civilização que foi extinta justamente quando os
Arianos ocuparam o seu território. O Vêdismo, que depois foi denominado
Brahmanismo, e, finalmente, Hinduísmo, contém muitos elementos da
cultura dravídica, mas diversos autores costumam negar isso.”,
em [10], página 40.
Diz-nos também este autor que: “O
Shruti é a parte
mais antiga, cujas raízes localizam-se há mais de mil anos antes da
nossa Era. Shruti significa aquilo que é ouvido. O Smriti é divisão mais
nova. A maior parte dos textos deste grupo tem pouco mais de 2.000 anos.
Smriti significa memória, referindo-se provavelmente às recordações
posteriores daquilo que o Shruti ensinara no passado remoto.
Nesta parte mais antiga, o Shruti, temos então os 4 Vêdas: Rig Vêda,
Sama Vêda, Yajur Vêda e Atharva Vêda.”
O
Rig Vêda é o mais antigo de todos os Vêdas, não
necessariamente o que relata histórias mais antigas como iremos ver
adiante. Trata-se de uma colecção de mais de mil hinos escritos entre
1200 e 900 a.C. por um povo conhecido por arianos, que veio para o
actual Afeganistão, Paquistão e Índia, a partir das estepes
euroasiáticas do norte. O Rig Vêda é uma das escrituras mais
antigas e das primeiras a serem escrita em línguas Indo-Europeias.
Voltando a fazer ligação com o Yôga temos que um vasto
conhecimento, em relação ao qual o termo ayur-vêda se aplica, é
algumas vezes considerado um 5º Vêda. A mais antiga expressão do
conhecimento ayurvêdico pode ser encontrado no Atharva Vêda. O
sistema ayurvêdico trabalha os 3 constituintes fundamentais ou
qualidades principais que existem na natureza: Sattwa, Rájas e Támas.
Sattwa significa estabilidade, Rájas, movimento, e
Tamas inércia. São também conhecidos como os três Gunas: as
qualidades que estão presentes em todos os planos da Natureza. Os
médicos deste sistema trabalham a energia vital. Purificam as nádí,
que são os canais por onde circula a energia vital, o prána, que
no Swásthya Yôga trabalhamos no ashtánga sádhana como
forma de reforço da estrutura biológica do praticante para que
kundaliní ao despertar possa ascender pelos vários chakra. Os
chakra são vórtices energéticos, que correspondem aos maiores
plexos nervosos do corpo físico. A tradição Hindu reconhece sete pontos
focais principais do prána. O Rig Vêda frequentemente fala
dos 7 mundos, os 7 rios, os 7 sábios, os 7 conhecimentos, os 7 pránas,
etc.
Segundo Alain Daniélou, o Atharva Vêda documenta uma sociedade e
um Yôga bem diferente do Yôga de Pátañjali, Yôga
Clássico, que codifica na sua obra Yôga-Sútra, nascido em plena
cultura vêdánta, ariana. Ao contrário, este 4º Vêda, é
quase exclusivamente baseado em tradições pré-arianas no que concerne a
rituais, magias e cerimónias. “O Atharva Vêda representa a verdadeira
religião do povo” (P.Banerjee – citado por Alain Daniélou em [7]). É
também este Vêda pré-ariano, que apresenta a antiga religião que
foi adoptada pelos arianos. Religião Miceniana.
Os
Puránas (livros de história), Âgamas (livros de tradições) e
os Tantras (livros de rituais mágicos e iniciáticos), descrevem
os rituais autênticos, mitos e práticas dos shivaístas pré-arianos.
Também deverá ser adicionada a filosofia ancestral Sámkhya(cosmologia)
e os textos de Yôga, cujas origens são shivaístas e pré-arianas.
No
próximos quadro temos a estrutura do Hinduísmo.
Em relação ao quadro número 4, Mestre DeRose faz questão de comentar que
o “Yôga Pré-Clássico é mencionado nas Yôga Upanishads e que o Yôga
que consta do Smriti é o Yôga Darshana ou Yôga Clássico, que surgiu
cerca de 3.000 anos depois do Yôga Pré-Clássico”.
Apresenta-se depois no quadro 5 um esquema das várias escrituras antigas
organizado por Georg Feuerstein. Pode-se verificar que o Atharva Vêda
para além da ligação directa ao Rig Vêda tem também uma ligação
para o passado anterior ao Rig Vèda. É portanto identificado que
do passado pré-vêdico temos os Purána (histórias que são contadas
desde os tempos mais pré-históricos que sobreviveram através do
parampará, transmissão da boca do mestre ao ouvido do discípulo),
o Rig Vêda que foi o 1ª Vêda a ser escrito, e o Atharva
Vêda, identificado por vários autores como o Vêda do povo
pré-ariano, dravidiano. Tem também uma ligação futura que veio a
resultar no sistema Ayurvêda que embora não tenha nada que ver
com Yôga, trabalha de uma forma claramente prática (pelo menos
até certo ponto, pois também tem uma grande dose de Vêdánta e
espiritualismo), as mesmas estruturas energéticas do corpo humano. E
utiliza para preparar os seus óleos, muito conhecimento típico das
cidades matriarcais antigas, onde as mulheres tinham uma cultura e um
conhecimento da natureza mais concretamente da flora, de onde retiravam
os ingredientes necessários à concepção dos óleos essenciais ao
tratamento de doenças.

Quadro
4 – A estrutura do Hinduísmo segundo Mestre DeRose

Quadro
5 – Estrutura do Hinduísmo segundo Georg Feuerstein
Extinção: invasões ou causas
naturais?
As
teorias mais recentes apontam para um misto, um conjunto, de vários
factores que levaram ao desaparecimento desta civilização. Entre estes
factores estão causas climatéricas, geológicas e invasões violentas
perpetradas por povos bárbaros vindos da ásia central, os arianos, que
posteriormente se transformaram nos povos Indo-Europeus.
Sabe-se também que as civilizações se desenvolveram junto aos rios, foi
assim em todo o mundo, e que particularmente nesta região do Vale do
Indo, existiram profundas alterações climatéricas e na estrutura dos
rios. Nomeadamente, as constantes inundações provocadas pelo rio
Saraswatí, a posterior extinção deste rio motivada por secas
prolongadas. Ora numa fase em que as civilizações puderam aparecer
porque se começaram a fixar e a sedentarizar em determinadas regiões
dedicando-se à agricultura, podendo armazenar o fruto do cultivo em
celeiros que lhes permitia ter alimento durante todo o ano não
necessitando de voltar a ser nómadas à procura de alimento, dependendo
da água dos rios para este novo estilo de vida, é óbvio que quaisquer
alterações climatéricas profundas que se tenham verificado podem
claramente ter iniciado e contribuído para um processo de declínio do
equilíbrio em que floresciam.
Existem sem dúvida mitos e histórias implantadas nas culturas ancestrais
que referem sempre um dilúvio, a grande inundação. Sabemos hoje que a
natureza pode produzir ondas gigantes que entram terra dentro como
consequência de terramotos. Por outro lado não podemos esquecer que os
meteoritos de dimensões consideráveis têm atingido a terra ao longo dos
tempos e o impacto de um meteorito de tamanho considerável no oceano
causa vagas de ondas que nos escapam a imaginação. É certo que hoje
essas catástrofes, até certa medida, também causam a mesma devastação.
No entanto, temos maior capacidade de recuperação, pelo que para a nossa
extinção seria necessário uma de grandes proporções. Já, naquela época,
qualquer menor catástrofe natural, tinha um impacto sempre muito
significativo, não só no imediato da ocorrência mas porque muito mais
dificilmente e lentamente as populações era capazes de recuperar desses
eventos.
Na
cultura bíblica temos Noé e a sua arca, na suméria temos UtaNapishtim
que também construiu uma arca para se salvar a si e aos seus segundo
ordens do deus Enki. No épico Gilgamesh que serviu posteriormente aos
autores do dilúvio bíblico, estão documentadas grandes cheias que Sir
Leonard Woolley conclui ter encontrado prova numa camada de lama com
cerca de 12 pés que teve de escavar até encontrar artefactos em Ur,
algures antes de 3000 a.C.. Os Indianos datam de 3102 o início da
presente Era mundial, Kali-Yuga. Os Maias do outro lado do mundo
também têm uma data de 3113 para uma grande inundação. Poderemos
portanto estar perante um fenómeno de dimensões avassaladoras, global a
todo o planeta, que marcou todas as antigas civilizações sensivelmente
ao mesmo tempo.
A
ilha de Santorini (Thera) tinha um vulcão que explodiu em 1628 a.C. que
causou uma onda devastadora que atingiu todo o mediterrâneo, palestina e
Egipto, que destruiu a civilização de Minos da Grécia (por volta da 1200
a.C. esta civilização já estava no seu processo final de declínio).
Pensa-se também que a civilização Mesopotâmica terá desaparecido e sido
arruinada por fortes erupções vulcânicas seguidas de profundas
alterações climatéricas. Esta civilização atingiu a sua Golden Age
em 2371-2316 a.C. durante o reinado de Sargon, que reinou por 57 anos, e
continuou a florescer durante o reinado do seu filho Rimush e o seu neto
Manishtusu em 2307-2292 a.C. E depois, de repente e após um século de
supremacia, o império misteriosamente colapsou. Cidades foram
abandonadas quando uma agricultura que falhou não lhes conseguiu mais
dar o suporte que precisavam. Pensa-se hoje segundo análises recolhidas
por geólogos que tudo se deveu a erupções vulcânicas muito próximas,
talvez na Turquia, que cobriram a terra de cinzas. O certo é que três
séculos mais tarde as populações regressaram para criar a Babilónia.
Mais
concretamente relacionada com a Civilização do Vale do Indo, aparece a
teoria climatérica e geológica relacionada com o rio Saraswatí.
Este rio terá sido muito maior do que é hoje e possuído vários
afluentes, considerando alguns hinos dos Vêdas como sendo o
“grande rio”. Saraswatí no Hinduísmo é a esposa de Brahma
e mais tarde aparece também relacionada com Vishnu. Originalmente
o rio Saraswatí flui através do Rajasthan até ao Golfo de Kutch
perto da península de Kathiawar. Segundo recentes imagens de satélite o
Saraswatí e os seus afluentes formavam um imenso sistema de água
e solos férteis no que é hoje o Deserto do Thar, também conhecido como o
grande deserto da Índia. O que terá causado esta seca e o
desaparecimento desta estrutura de canais? Alguns geólogos apontam para
grandes alterações das placas tectónicas por volta de 1900 a.C.,
possivelmente acompanhadas de erupções vulcânicas que de forma drástica
e irremediável alteraram a estrutura dos rios, o que transformou a
região num deserto. Também alterações foram sentidas no rio Indo e no
Ganges mas não tão intensas e foi para lá que se terão mudado as
populações, migrando do Saraswatí para o Ganges.
A
favor da teoria das invasões arianas:
Não
há dúvida que existiram grandes migrações de povos asiáticos em direcção
a estas regiões que manifestamente alteraram para sempre o equilíbrio
existente nas regiões e povos conquistados.
Estão
documentadas guerras e invasões nestes períodos entre o povo invasor
ariano e os drávidas como aliás nos diz Salomão Reinach: “Vejamos
primeiro que tudo, o que significa a palavra Ária. Na língua clássica da
India Antiga, o samscrito, arya é um adjectivo que quer dizer nobre; mas
na lingua dos hymnos denominados Vêdas, os quais pertencem a época
anterior, o termo arya, até certo ponto pelo menos, parece ser uma
designação ethnica, applicada ao grupo de conquistadores que
introduziram na India a língua falada pelos poetas dos Vêdas. Ahi os
árias oppõem-se aos dasyas, como o povo invasor que se oppõe ás
populações contra as quais lucta e acaba por subjugar. A origem do termo
arya é desconhecida, e só por hypothese, assás inverosimil, é que se
procurou relacionar esse termo com a raiz de arare que significa
cultivar ou lavrar.”, em [4], páginas 102 e 103.
No
Rig Vêda os Dasyas aparecem acompanhados pelos Symias
a atacar os Indo-Arianos. Os Rig Vêda são uma colecção de mais de
1000 hinos escritos entre 1200 e 900 a.C. por um povo conhecido por
arianos, sendo esta uma das primeiras obras a serem escritas em línguas
Indo-Europeias.
Segundo
interpretação de Stuart Piggot o Rig Vêda descreve os habitantes
de Harappa como “pretos”, “sem nariz”, “lascivos e libidinosos”,
esta última uma referência ao fálico deus Shiva. Descreve também
que os oponentes dos Arya, esses inimigos que se atrevem a
recusar a supremacia de Indra na terra e nos céus, são referidos
como os dasyas, que não têm rituais, são indiferentes a deuses,
de fala imperceptível, não executam os sacrifícios arianos, e eles
provavelmente fazem culto ao Phallus, Lingam, e acima de
tudo eles são os infiéis. Caracterizam-nos no entanto como muito
saudáveis, com grandes reservas de ouro, estão organizados em grupos ou
estados, e vivem em estruturas fortificadas. Citando Sir Mortimer
Wheeler, Piggot chama a atenção que as recentes escavações de Harappa
julgam-se ter alterado o que se sabia, pois revelam uma altamente
evoluída civilização de tipo essencialmente não ariano, que construíram
massivas fortificações, e que dominavam o sistema de rios da região
noroeste da Índia num período não muito distante da altura provável das
invasões arianas.
Versos do Rig Vêda que mencionam as invasões:
"With all-outstripping chariot-wheel, O Indra,
thou
far-famed, hast overthrown the twice ten kings of men
With sixty thousand nine and ninety followers
... Thou goest on from fight to fight intrepidly,
destroying castle after castle here with strength”
Este é um hino do primeiro livro do Rig Vêda(I,53).
As fortificações destruídas por Indra diz serem de pedra, o que
pode referir a tijolos de barro não cozido.
O
ataque parece ter incluído pegar fogo aos edifícios:
“... in kindled fire he burnt up all their weapons,
And made him rich with kine [cattle] and carts and horses (ii, 15)”
E é
possível que se encontrem referências à destruição das barragens e
diques que foram construídos para proteger a cidade de Harappa
das inundações provocadas pelas cheias. A associação de cheias,
inundações e conquistas é mais uma vez potenciada no mesmo hino:
“ The mighty roaring flood he stayed from flowing,
and carried those who swam not safely over, They having crossed the
stream attained to riches ...
He slaughtered Vala, and burst apart the defences of the mountain ...
He tore away their deftly-built defences ... There the staff-bearer
found the golden treasure ... (ii. 15).”
E mais uma vez “he sets free the rivers paths”
e “all banks of rivers yielded to his manly might (II, 13)”.
No
passado estas fortificações dos dasyas eram considerados ou
mitológicas ou na melhor das hipóteses as primitivas construções dos
aborígenes do norte da Índia no tempo das conquistas arianas.
Mas agora tal como escreveu Wheeler: “the recent
excavation of Harappa may be thought to
have changed the picture. Here we have a highly-evolved civilization of
essentially non-Aryan type, now known to have employed massive
fortifications, and known also to have dominated the river-system of
north-western India at a time not distant from the likely period of the
earlier Aryan invasion of that region ... On circumstantial
evidence, Indra stands accused.'"
Segundo Ferreira do Amaral em “Os Filhos de Caim e Portugal”, os Umman
Manda são a primeira invasão que ocuparam zonas da Mesopotâmia e
principalmente na zona do Indo que mais tarde vão refluir para o
Ocidente.
Sabemos
também que o povo Drávida e Tamil, nos dias de hoje, é
mais predominante no sul da Índia e no Sri Lanka. Mas que existem também
vestígios deste povo adorador do falo por toda a Europa mediterrânica,
são disso exemplo os cromoleques, sendo assim visível o efeito que a
vaga invasora vinda das estepes euroasiáticas de povos bárbaros
produziu, “empurrando” esta cultura inicial dos dasyas para sul e
para a Europa, quer por fuga desesperada quer por inclusão no movimento
contínuo e posterior invasor dos arianos que continuaram as suas
conquistas, agora integrando símbolos dos dasyas, drávidas.
Característica esta que se pensa ser uma constante, ou seja, os arianos
foram integrando várias características dos povos conquistados, impondo
a sua ordem bárbara, patriarcal, violenta, transportando consigo
indirectamente os símbolos e cultura dravidiana. Em última análise pelo
simples facto de que no continuar das suas conquistas faziam viajar com
os seus exércitos algumas multidões de escravos drávidas, os quais
mantinham a sua cultura. Veja-se o que foram as sanzalas de escravos no
tempo das conquistas da época dos descobrimentos e colonização de
África, ou em qualquer outra parte do mundo na altura da escravatura.
Mesmo no contexto de uma ordem instalada de cariz papal, nomeadora de
reis ditadores, mesmo assim, nas sanzalas dos escravos, as comidas, os
cânticos, as religiões e cultos praticados eram as dos escravos, eles
mantinham as suas tradições, obviamente numa sociedade em que eram
claramente a excepção numa regra colonizadora. Esta ideia é apoiada por
Pierre Levêque que sempre existiu, embora em graus diversos, fusão entre
os conquistadores e os conquistados. Os Hititas tomaram o seu próprio
nome dos Hattis que conquistaram. “Os sincretismos religiosos
testemunham a importância do substracto étnico que não podia ser
eliminado pelas conquistas, e isso é verdade desde a Grécia antiga até à
Índia Ariana: em toda a parte têm tendência para perdurar,
designadamente à volta das Terras-Mães, as grandes religiões da
fecundidade/fertilidade, de inspiração neolítica, religiões naturistas
melhores adaptadas às aspirações dos camponeses, aos seus problemas, às
suas esperanças de uma vida na eternidade. No entanto esta fusão nunca
foi de união e partilha, sempre se manteve o comando e a subjugação dos
conquistados pelos conquistadores, as populações conquistadas são
recuperadas como força de trabalho, existindo esta clara separação
social, e isso é mais visível na Índia onde a sociedade se estrutura em
quatro varna, cores, desempenhando a cor, um papel diferenciador
considerável: ”às três camadas da herança indo-ariana teve de juntar-se
uma última categoria social, desprezada mas de facto integrada, que é a
dos negros drávidas que era preciso incorporar de algum modo na
comunidade vêdica”.
Diz-nos no entanto Alain Daniélou que “the
dravidian language and culture, which even today are those of the
population of Southern India, seem to have spread their influence from
India to the Mediterranean before the Aryan invasions”, em [7],
página 21. O que vem propôr uma outra visão a qual advoga que por
exemplo, a existência em Portugal de vestígios de uma civilização com
monumentos Megalíticos (cromoleques), poderá ter partido não de
migrações motivadas por invasões que teoricamente fizeram fugir o povo
drávida dos arianos para o sul da Índia, mas mais pelo facto de que toda
essa região, que vai desde o Vale do Indo até à Península Ibérica e bem
lá acima até Stonehenge, ser caracterizada por um clima
verdadeiramente civilizador, pois permitia a organização do cultivo e
colheita agrícola, que conduziam à sedentarização e impulso
civilizacional como nos explica André Van Lysebeth em [3].
É
também adepta desta ideia M. Gimbutas, que Pierre Levêque menciona em
[11], para apresentar as migrações dos Kurganes, à sua evolução e
expansão, que se divide em várias fases do V ao II milénio antes da
nossa Era, onde se dá a conquista em direcção à Europa Danubiana e à
Europa Nórdica, numa muito ampla indo-europeização, durante dois ou três
milénios. Esta primeira fase é seguida de uma segunda fase que dura até
à Idade Média. Através destes séculos são grandes os grupos de
emigrantes que em movimentos sucessivos asseguram a conquista da Europa
e uma parte importante da Ásia (Ásia anterior e Norte do subcontinente
indiano). “Na Europa é uma ocupação contínua onde só alguns enclaves
escapam à indo-europeização, como o das línguas euscaro-caucásicas de
que subsistem apenas vestígios nas duas extremidades do continente...”,
em [11], página 39.

Fig 12 – Sinais
claros de massacre, os corpos ficaram na posição em que morreram, os
sobreviventes puseram-se em fuga, ninguém ficou para trás que pudesse
proceder aos seus funerais. Fonte: Sir Mortimer Wheeler em [6]
Embora esta dinâmica migratória esteja longe de ser clara, no entanto,
existe um único ponto comum a elas, e esse ponto é o impacto
considerável que elas têm nos locais onde estes migradores se
sedentarizam, os quais se impõem com a sua língua. “Luvitas e Hititas
subvertem o equilíbrio da Anatólia e da Síria. A chegada dos Gregos à
Grécia é marcada por um verdadeiro hiato arqueológico, isto é, pela
destruição dos palácios de Bronze antigo. Os Iranianos ocupam o planalto
interior, muito antes de os Medos e os Persas fundarem os seus grandes
reinos. Na Índia do Norte, os Arianos levam a melhor sobre as populações
drávidas”, em [11], página 40.
Outra
referência nos apresenta Ferreira do Amaral em relação às invasões dos
povos bárbaros asiáticos: “Por outro lado ainda, um hino
contemporâneo em honra de Sesóstris III menciona o ataque ao Egipto,
repelido pelo faraó, por parte de povos estrangeiros asiáticos”, em
[5], página 23. E continua com: “Na primeira metade do II milénio, a
zona da Bactriana e da Índia do Norte é, com efeito, povoada por povos
indo-europeus que se guerreiam entre si, como se pode verificar das
partes mais antigas dos Vêdas (Rig Vêda). [...] Os Indo-Arianos
combatem povos como os Gandara [...] Dasyas [...] Chomari [...], parni
[...]. Nesta fase dos Rig Vêdas, não há razões para supor que os
indo-Arianos se estejam já a expandir para o Sul para a Índia. Os Vêdas
referem-se fundamentalmente à zona noroeste da Índia [...]. No entanto,
é também por esta altura da primeira metade do II milénio que a
civilização do Indo entra em decadência e vai desaparecendo
gradualmente, não existindo razões para supor que esse desaparecimento
tenha sido directamente causado por ataques Indo-Arianos.”, em [5],
páginas 38 e 39. No entanto segundo Sir Mortimer
Wheeler: “... it is widely accepted that somewhere about the middle
of the II millenium occurred the Aryan invasion which is reflected in
the earliest literature of India, the
hymns of the Rig Vêda. […] Mohenjo-Daro is the only place where clear
material evidence of final massacre is at present forthcoming”,
em [6], páginas 113 e 114.
Temos portanto uma primeira teoria que defende que a
região do Vale do Indo estava habitada pelo povo drávida, que em várias
ocasiões espalhou a sua cultura por um extenso território desde a Índia
até às ilhas Britânicas.
Esses
deslocamentos poderão ter ocorrido em duas fases, no sentido da Índia
para a Península Ibérica. Numa primeira fase, por intermédio de uma
expansão pacífica feita por um povo que entretanto dominou a
agricultura, avançando pelos territórios com melhores condições para
este estilo de vida, existindo vestígios destas deslocações durante a
Revolução Neolítica e o Megalítico. Numa segunda fase, arrastado e
motivado por invasões violentas dos povos bárbaros que saíram das
estepes euro-asiáticas e que empurraram, arrastaram, os povos
conquistados, que se tiveram de deslocar em fuga ou mesmo já integrados,
absorvidos, através do Mediterrâneo e Norte de África. Para dar força e
consistência a esta explicação das migrações dos povos motivada por uma
invasão do Vale do Indo feita por povos bárbaros, que se expande e
continua pela Europa, existem as escrituras antigas, os Vêda, que
apresentam sinais de combates entre o povo invasor bárbaro contra os
dasyas. Os drávidas tentaram resistir à aniquilação física e
cultural, existindo vestígios de violência nas descobertas feitas nas
cidades do Vale do Indo, e também é notório que num dado momento se
passou de uma sociedade matriarcal para uma sociedade patriarcal.
No
sentido da Península Ibérica para a Índia, existe como possível a ideia
de o povo dos monumentos do megalítico ter nascido na Europa e ter-se
posteriormente expandido até à Índia, para defender a teoria de que os
próprios drávida não eram originários da Índia mas antes, da Europa.

Fig 13 – Mapa do
território Indo-Asiático, onde se destaca a localização da cidade
Mehrgarth, Harappa e Mohenjo-Daro. Também a localização do que
antigamente era o Grande Rio Saraswatí e hoje deserto. Fonte: Georg
Feuerstein em [8]
Contra a teoria das invasões arianas:
Como segunda
teoria, ou mais concretamente, outra opinião, tem George Feuerstein,
juntamente com outros autores. Este autor contraria e nega
principalmente tudo o que esteja relacionado com as teorias das invasões
arianas, as quais tem batalhado por desmistificar e desmontar. Aliás,
nota-se especial preocupação neste autor em ir contra essa ideia de
invasões de povos bárbaros, inclusivé está também mais recentemente a
desmontar e contrariar uma teoria que afirma que os próprios drávidas
nunca foram indígenas da região do Vale do Indo e que foram também eles
invasores daquela região. Existem ideias de que o Shivaísmo terá
nascido não na antiga Índia mas em várias partes do mundo ao mesmo tempo
pois os vestígios de símbolos destas culturas estão espalhados por toda
a Europa e datações por meios científicos revelam que no mesmo período
no tempo estes símbolos surgiram por toda a Europa. Pensa-se inclusivé
que o fluxo migratório desta civilização poderá ter vindo em sentido
contrário, ou seja, da Europa para o Vale do Indo. Mas mesmo esta teoria
Feuerstein se apressa a desacreditar. Este autor presentemente atribui
maior importância às descobertas recentes feitas em Mehrgarth, a maior
cidade da inicial antiguidade, algures em 6500 a.C. bem na Revolução
Neolítica, o que coloca esta cidade como contemporanea de Çatal Huyuk na
Anatólia, Jarmo na Mesopotâmia, e Jerico na Palestina. Esta cidade
revela pela grandeza e vestígio arqueológico como sendo muito semelhante
ao estilo urbano de Harappa e Mohenjo-Daro com a diferença de ocupar uma
área bem maior e de ter florescido 4000 anos antes das cidades do Vale
do Indo.
Feuerstein
aliás revela-se um dos mais cépticos autores sobre estes temas, e em
certa medida serve de contraponto a todas as teorias e sugestões
avançadas por outros autores, parecendo que quando escreve se centra na
crítica a quem “ousa” avançar com certezas sobre o que quer que seja.
Inclusivé em [8], Feuerstein dá-se ao trabalho de apresentar 17 razões
pelas quais segundo ele nunca existiram invasões arianas. No prefácio de
In Search of The Cradle of Civilization consegue perceber-se em certa
medida o porquê destas suas posições, parece ser algo avesso aos autores
e à ciência de estimação, “... when it cames to pet theories and
cherished opinions, scientists are as human as anyone else”, em [8],
página XX. Temos tendência a julgar que os nossos cães e gatos por serem
nossos companheiros e em certa medida nossa realização, acreditamos e
defendemos com todas as forças que foram incapazes de fazer as suas
necessidades nas portas dos vizinhos, assim também os cientistas têm
tendência a considerar e a respeitar teorias só porque são suas ou de
“pessoas” muito estimadas na comunidade científica e investigadora.
Parece-me no entanto cair na mesma “ratoeira” quando utiliza “opiniões”
de Aurobindo e Colin Renfrew só porque são “grandes” personalidades em
determinadas áreas.
Dessas 17 negações (faço um parenteses humorístico irresistível, em que
mais parece que Feuerstein é praticante de Jñána Yôga, e aprecia
bastante a técnica de “neti-neti” – não é isso; não é isso),
destacam-se:
- A ideia de que os
Vêda se apropriaram e contam histórias do povo civilizado dravidiano,
cai por terra segundo teorias de que os arianos afinal não seriam
estrangeiros para os indianos quando alegadamente os invadiram, pois
situam-se o desenvolvimento da língua sanscrito muito mais lenta até
7000 a.C. e que alguns povos Indo-Europeus terão vivido na Anatólia
por esta altura.
- O acordo entre um
Hitita e um Mitanni levou à invasão ariana, mas existem actualmente
teorias de que estes povos já habitavam a Anatólia em 2200 a.C. logo
não poderiam ter vindo invadir em 1500 aquilo que já
ocupavam/habitavam.
- Os descendentes dos
arianos não se lembram nem recordam de nenhuma invasão, que não existe
nenhum registo de invasão nas escrituras Hindus, e que mesmo no Rig
Vêda mais antigo livro atribuído ao período vêdico, escrito num
sânscrito muito antigo, não existe nenhuma referência ou lembrança de
uma terra antiga, de uma terra exterior de onde esta cultura tivesse
partido.
- Existe uma
continuidade cultural nas culturas Hindu-Saraswatí, se existiu invasão
deveria existir uma clara ruptura de sociedade e cultura, e os
vestígios arqueológicos deveriam comprovar isso, ao invés, parece
existir uma continuidade.
- A cultura vêdica
estará visível nos achados da cidade de Mehrgarh datada de cerca de
6500 a.C., e nas cidades de Harappa e Mohenjo-Daro existirão vestígios
de altares vêdicos, o que leva a concluir que afinal a cultura vêdica
não seria nómada e originária de povos bárbaros mas antes já existia
muito antes das cidades do Vale do Indo, as quais serão mesmo parte
integrante da cultura vêdica.
- A ideia que povos
bárbaros vieram da Ásia central em charretes e a cavalo, pois antes
dessas invasões não existia registo nem de cavalos nem de carros de
combate, cai por terra com recentes descobertas que comprovam a
existência de cavalos na civilização harappiana, e os carros de
combate não são típicos de nómadas mas sim de elites em cidades,
veja-se Roma e Grécia antiga.
- Existe também uma
continuidade de raças, escavações revelaram existência de esqueletos
de vários grupos raciais, muitos dos quais estão ainda presentes hoje
na Índia. Eram cidades cosmopolitas e não existem registos ou provas
de que um grupo racial diferente tenha entrado nestas cidades, ou que
os dravidianos tenham dela saído para sul, não existe esse tipo de
ruptura, existindo antes uma continuidade do mesmo povo, que de uma
forma geral se viam a eles próprios como arianos.
- A cultura vêdica
pertencia a uma civilização avançada, pois a astronomia e matemática
desta cultura era bastante evoluída e por outro lado data-se de 2500
a.C. o sistema astronómico e o calendário no qual o Rig Vêda
está baseado, portanto a cultura vêdica não é a dos arianos e
pós-dravidiana, ela já existia nas cidades da civilização harappiana,
não veio dos povos invasores.
- Sir Mortimer Wheeler
sugeriu que as cidades harappianas foram destruídas por violência, e a
partir desse momento vários estudiosos assumiram como sendo uma
verdade absoluta. Mas não existem provas que atestem esta ideia, não
existem claros vestígios de massacre nas descobertas efectuadas nos
sítios arqueológicos, e que pelo contrário o que se terá passado foi o
abandono das cidades por parte dos seus habitantes devido a alterações
geológicas e climatéricas profundas. Para corroborar isso apresenta o
facto de que Strabo, geógrafo grego (que viveu até uma década a.C.),
escreveu no seu livro Geography, que quando Aristobulus estava em
missão na Índia viu um país de milhares de cidades e vilas que foram
desertificadas porque o Indus mudou o seu curso para o oceano, e que a
Península Indiana continua a ser uma zona de elevada actividade
tectónica.
- Foi adiantado de que
no Rig Vêda existem hinos que descrevem batalhas entre os
arianos e os povos nativos, mas que estudos mais recentes e mais
profundos dos hinos em questão comprovam que se tratavam de batalhas
entre exércitos de um mesmo povo.
- Escavações em
Dwaraka datada de 1500 a.C. revelaram semelhanças com a cidade que
aparece no Mahabharata como a cidade de Krishna, segundo uma
visão tradicionalista, Krishna viveu até ao final do tempo
vêdico, logo a cultura de Harappa já era vêdica muito antes da
epotética invasão dos arianos que teoricamente trouxeram o início da
era vêdica.
- A cultura revelada
no Rig Vêda não é de uma cultura básica e bárbara que chegou à
Índia, mas antes de uma avançada e sofisticada cultura que já existia
na Índia há vários milénios antes.
Com
estas e outras justificações Feuerstein preocupa-se em desmontar a ideia
instalada de uma invasão ariana muito redutora da história que ainda
pouco conhecemos, e o autor defende que ao assumirmos a existência de
uma cultura vêdica muito mais antiga do que a invasão ariana, juntamente
com os achados em Mehrgarh, seremos então mais capazes de virar a nossa
imaginação histórica para aspectos específicos da antiga cultura e
história indiana.
Misto de
Várias Causas
Existem teorias de que estas invasões vieram encontrar uma civilização
já em profundo declínio e que não foram a causa principal da sua
extinção, mas o certo é que existem interpretações dos Rig Vêda
que atestam a destruição de represas do Rio Indu por parte dos árias,
que destruiu o equilibrado sistema criado pela civilização do Vale do
Indo. Temos assim também a possibilidade de que a água que hoje se
encontra nas escavações de Mohenjo-Daro e Harappa, essa água que parece
ter irremediavelmente alagado esta cidade tornando-a difícil de habitar
será não consequência de alterações da estrutura de rios que alagaram a
civilização que junto deles floresceu, por causas climatéricas ou
geológicas, mas antes pelo simples facto de os invasores terem destruído
as represas. Pense-se um pouco o que aconteceria à região do Vale do
Tejo em Portugal se fossemos agora por esse Tejo acima dinamitando todas
as barragens? Por certo vilas e aldeias de Santarém desapareciam, por
exemplo.
Claro
que se introduzirmos aqui as teorias das catástrofes geológicas de
dimensões avassaladoras naquela região, então não foi sabotagem dos
arianos, mas antes “sabotagem” da Mãe Natureza que se manifestou
alterando o sistema de rios e lançando para o ar poeiras vulcânicas que
impossibilitaram a continuação das condições de vida típicas da
civilização harappiana, fazendo-a entrar em decadência.
Esta
era uma civilização que vinha desde a Revolução Neolítica, matriarcal,
que durou até ao início da Era dos metais, altura em que se tornou
adoradora das mais variadas divindades, espiritualista e patriarcal.
Quando se iniciaram as invasões bárbaras e várias migrações com intuito
de conquista violenta em toda aquela região, esta civilização começou a
entrar em decadência.
Adicionalmente ocorreram fenómenos climatéricos que influenciaram esta
região em várias ocasiões ao longo do tempo, e ainda hoje continuam a
ocorrer, e é razoável admitir que grandes catástrofes naturais podem sem
dúvida aniquilar todo um sistema estável que vai causar o deslocamento
de populações para outras regiões e consequente decadência.
Procurou-se apresentar o maior número de informação, ainda que de forma
muito breve, do que se sabe e teoriza sobre esta civilização e estes
tempos.
Fica
a vontade de em estudos posteriores nos debruçarmos mais sobre a relação
entre sociedade matriarcal e patriarcal.
Isto
porque, tenham ocorrido catástrofes ou invasões bárbaras, ou as duas em
conjunto, o certo é que a partir de determinado momento passamos de
vestígios de uma sociedade matriarcal, para uma sociedade patriarcal.
Onde antes a mulher era a Deusa, a coordenadora das mais diversas
actividades da sociedade, temos depois a transformação para uma
sociedade patriarcal, na qual a mulher passou a ser um mero objecto de
uso e ao serviço do homem, sem quaisquer direitos reconhecidos.
Verificando-se que se passou de uma sociedade sensorial e adoradora da
natureza, para uma sociedade bárbara, bruta, guerreira, adoradora de
Deuses e Reis, sempre predominando a superioridade do homem em relação à
mulher. O que se mantém até aos dias de hoje no mundo inteiro e com
maior evidência no Médio Oriente e na Índia, principal e infelizmente.
Não
deixam tudo de ser conjecturas, mas as provas quer de um lado quer de
outro são de alguma credibilidade e por isso creio ser essa a causa
geradora da grande controvérsia sobre o que realmente terá levado à
extinção desta civilização, ou se não se extingiu, se sempre foi a
mesma, ou se passou a ser a mistura de várias. Está por certo muita
coisa por explicar e com maior precisão. Nomeadamente a questão de
sociedade matriarcal versus patriarcal.
A
objectividade é importantíssima aos estudiosos destes temas, pois muitas
vezes se nota alguma parcialidade, pois no campo das teorias muito cunho
pessoal se pode colocar, o que leva a esta ou àquela interpretação da
história e dos factos existentes.
O
certo é que as origens do Yôga remontam a este período histórico,
e a este local do nosso planeta.
Embora com mais ou menos controvérsia, com mais ou menos certezas e
incertezas, que não permitem até certo ponto um consenso sobre a escrita
da história destes tempos, estou certo no entanto de que não ficam
dúvidas de que é daqui que vem e nasce o Yôga Antigo, com linha
Tantra (matriarcal, sensorial, desrepressora), e tendência
Sámkhya, o Yôga que foi codificado no século passado por
Mestre DeRose, o Swásthya Yôga.
[1]
Wheeler, Mortimer, “Civilizations of The Indus Valley and Beyond”.
Thames and Hudson, London 1966.
[2] Hermano Saraiva,
José , “História de Portugal”, 7ª Edição, Publicações Europa-América,
2004
[3] Van
Lysebeth, André, “Tantra el culto de lo feminino”
[4] Reinach, Salomão, “
A origem dos Arias”, tradução de agostinho fortes, Bibliotheca
D’Educação Nacional XXIII, Lisboa 1912.
[5] Ferreira do Amaral,
João, “Os Filhos de Caim e Portugal”, povos e migrações no II milénio
a.C., Quetzal Editores, Lisboa 2004
[6]
Wheeler, Mortimer, “Early India and Pakistan”, Thames and Hudson, London
1959.
[7]
Daniélou, Alain, “Gods of Love and Ecstasy, The traditions of Shiva and
Dionysus”, Inner Traditions International Ltd, Rochester Vermont 1992
[8]
Feuerstein, Georg, “In Search of the Cradle of Civilization”, Quest
Books Theosophical Publishing House, Wheaton Illinois 2001
[9]
Winters, Clyde, “The decipherment of the Indua Valley writing”,
Internet Link:
http://www.geocities.com/olmec982000/HarWRITE.pdf, disponível e
consultado em 18/04/2006
[10] DeRose, Mestre,
“Origens do Yôga antigo”, Editora Uni-Yôga, São Paulo 2002
[11] Lévêque, Pierre,
“As primeira civilizações – Os Impérios do Bonze”, Volume I, Edições 70,
Lda, Lisboa
[12] Lévêque, Pierre,
“As primeiras civilizações – A Mesopotâmia / Os Hititas”, Volume II,
Edições 70, Lda, Lisboa
[13]
piggott, Prehistoric Roots of Ancient India, Penguin, Harmondsworth 1950
[14] Santos, Sérgio,
Yôga, Sámkhya e Tantra, 4ª Edição, Editora Uni-Yôga, São Paulo Brasil
2001
[15]
DeRose, Origens do Yôga Antigo, 1ª Edição, São Paulo Brasil 2004
Os 7 principais chakra são de baixo para cima: múláddhára,
swádhisthána, manipura, anáhata, ájña, sahásrara. No
Yôga
Ultra-Integral são trabalhados explicitamente através de exercícios
respiratórios, meditação, e outras técnicas, estes 7 principais
chakras, sendo que implicitamente são também trabalhados todos
os outros milhares.
|