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KATA E OLARIA

 

CAVERNAS E GUERRAS DE PEDRAS, NÃO!
ATÓMICAS GUERRAS MODERNAS, SIM!
HOMO-SAPIENS... O SÁBIO.

JP

(Ippon-ken. Karate Jutsu, Gichin Funakoshi, 1925)

Nesta arte aperfeiçoar a forma tem um sentido: buscar o gesto mais natural, procurar a naturalidade do gesto.

O Karate-do Shotokai é das práticas mais próximas do espírito zen: todo ele é despojo e simplicidade.

No Karate-do Shotokai  não se usam armas nem protecções, já alguém viu um oleiro usar luvas enquanto modela o barro?

O karateca é um oleiro trabalhando o seu corpo/barro com as mãos vazias.

Na olaria depois de definida a forma é preciso cozer o barro para o tornar polido e brilhante.

Sem o calor do forno a forma esboroar-se-ia, em pouco tempo.

De igual modo em Karate-do Shotokai depois de fixada, memorizada a forma é necessário incorporá-la, cozê-la na fornalha do esforço árduo e continuado.

Só desse modo, qual terracota etrusca, um kata poderá tornar-se uma obra de arte eterna...

Um kata de Karate-do Shotokai não aparenta ser uma obra de arte rebuscada. Aponta mais para a simplicidade de um cântaro do alentejo do que para uma peça de chá de Limoges.

E, todavia, ainda assim, considerá-lo algo tosco e rude seria um lamentável engano. Talvez algo equivalente a chamar primitivos aos homens de Lascaux, Aaltamira, ou Foz Côa.

Quem é este homem que chama primitivos aos outros chamando-se a si próprio de Sapiens ?

Felizmente já nem todos pensam assim. Alguns, recuperam o gosto de sentir os pés na terra, o suor no rosto, o vento na cara.

Oleiros da própria carne chamam-se a si próprios Karatecas.

 

José Patrão,

 

 


(C)Copyright, José Patrão, 2001-2003

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