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Como tem acontecido com outros artigos de minha autoria, também este
foi preparado para servir de suporte a uma palestra que proferi no
Encontro Nacional de Yoga, em Évora, que decorreu nos dias 6, 7 e 8 de
Abril de 2001.
Após a exposição da "teoria", convidei os participantes a
participarem na "prática" na Brahmamuhurta, ou seja, na hora
da meditação. Tem-se por certo que isto significa 4 horas da manhã. E
foi esta a hora que usamos. Mas, em rigor, a hora da meditação é
aquela que antecede o nascer do sol. E assim, em qualquer latitude, só
precisamos descobrir a que horas o sol nasce e uma hora antes iniciar a
prática de meditação.
Passemos então a reproduzir o texto da palestra:
Classificação dos graus de meditação:
Tem função pedagógica e analítica. A nova
classificação é em cinco graus:
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ã
ã
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5.º Grau
|
–
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tantra dhyána
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-
|
reservado, forma iniciática
|
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4.º Grau
|
–
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ajapa japa
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3.º Grau
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–
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yantra mantra dhyána
|
-
|
concentração em símbolos e em sons
|
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2.º Grau
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–
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mantra dhyána
|
–
|
concentração em sons.
|
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1.º Grau
|
–
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yantra dhyána
|
–
|
concentração em símbolos.
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1.º Grau – yantra
dhyána – concentração em símbolos.
Neste grau, o mais baixo, a concentração da mente é feita
sobre Yantra - símbolos concentradores da mente. Podem ser objectos,
figuras geométricas, mandala,
etc. em seguida mostram-se alguns dos símbolos possíveis.
É um tipo de objecto mais subtil do que o anterior.
3.º Grau -
yantra mantra dhyána - concentração em símbolos e em sons
Juntam-se os sons e os símbolos. Junta-se o yantra
e o mantra e a mente
concentra-se sobre os dois em simultâneo. Por exemplo, concentra-se a
mente no símbolo do Yoga e na vibração deste símbolo.
OM
4.º
Grau -
ajapa japa
Neste grau, que significa repetição sem repetição, o objecto
da concentração da mente é o som interno produzido pela passagem do
ar no interior do corpo na inspiração e na expiração. Esta técnica
é muito mais subtil do que aquelas que se encontram no grua de mantra
dhyána.
Esta técnica por vezes surge associada aos mantra
SO HAM. Resulta da deturpação que foi feita desta técnica na
Idade Média. Alguns mestres ensinaram-na a alguns discípulos, com a
utilização dos sons referidos. Por incapacidade dos discípulos em
perceberem os sons internos.
Na sua pureza é uma técnica muito subtil.
5.º
Grau - tantra
dhyána - reservado, forma iniciática
Este grau é
reservado, iniciático. Só quando o mestre transmite a iniciação é
que o discípulo pode utilizar este grau.
Samyama
Dhárana é
concentração da mente obre um só ponto. Ou seja ekagrata.
Quando o Yogi consegue unir todos os pontos que representam os
turbilhões da consciência e concentra-la num só dá-se a
concentração. Se esta perdura, pelo menos pelo tempo de 12
respirações, passa ao dhyána.
Deste ao samádhi. Podem
ocorrer desvios que se devem evitar. Um para o trabalho intelectual. O
menos pernicioso dos desvios. O outro para a auto-hipnose. Este deve ser
totalmente de evitar. O samádhi
é hiperlucidez, não se compadece com diminuição de lucidez.
OS
OBSTÁCULOS
Segundo Patañjali [1]
OS OBSTÁCULOS à meditação
e ao samádhi são:
I – 30: as
distracções da mente, causadas por:
-
enfermidade
-
apatia
-
dúvida
-
falta de entusiasmo
-
indolência
-
apego
-
noções erradas
-
instabilidade
II – 3:
-
a ignorância
-
o egoísmo
-
o desejo
-
a aversão
IV
– 27:
-
Também os pensamentos resultantes dos samskara
III
– 37:
-
Os siddhi.
O
Yoga de Patañjali tem uma divisão em oito partes.
DÁRSHANA
YOGA
|
8.º
|
Samádhi
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Antaranga
Samyama
(Co –
conciliação)
|
|
7.º
|
Dhyána
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6.º
|
Dhárana
|
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5.º
|
Prátyáhara
|
Bahiranga
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4.º
|
Pránáyama
|
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3.º
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Ásana
|
|
2.º
|
Niyama
|
|
1.º
|
Yama
|
O Yoga de Patañjali tem a organização que acima se enumera. Os
três últimos anga constituem
samyama.
Para uma boa concentração o Yogi deve abstrair os sentidos
físicos e virar-se para o interior.
PRÁTYÁHARA
Bhagawad Guitá II – 58
E,
quando ele recolhe os seus sentidos,
tal
como a tartaruga as suas patas,
de
todos os objectos dos sentidos;
ele
é um sábio firmemente equilibrado.
Katha
upanishada
Quando
os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa
em silêncio, então começa o caminho supremo.
Chandogya
upanishada
Concentrando em si
todos os seus sentidos
DHÁRANA
Provém da raiz dhr – manter
fechado
Bhagawad Guitá II - 65
E,
na serenidade, para ele, não há
mais
qualquer espécie d’infortunio ou d’entrave,
porque,
co’a consciência em paz imensa,
esse
mantém o intelecto inabalável.
Yoga Sútra III – 1
A fixação da
actividade mental sobre um lugar circunscrito é a concentração.
DHYÁNA
Prolongado a concentração sobre um objecto esta transforma-se
em Dhyána. Vyása nos seus
comentários ao Yoga Sútra, define assim:
"Continuo de esforço mental para assimilar o objecto da
meditação, livre de todo outro esforço de assimilar outros
objectos."
Esta técnica é apenas o aperfeiçoamento da anterior.
Yoga Sútra, III – 2
Um fluxo continuo
de cognição centrado sobre um ponto é chamado meditação.
Dhyána permite
penetrar, assimilar o objecto da meditação. A trilogia, sujeito
cognoscente, objecto cognoscível, acto de conhecer, cessam e
confundem-se. O objecto e o sujeito passam a ser um só. Esta
penetração, esta assimilação do objecto é acompanhada de um estado
de coerência, dum estado de lucidez total. A meditação é sempre um
instrumento de penetração na essência das coisas, lucidamente usado
pelo Yogi. Em ultima análise é um instrumento de apreensão do real.
E o intelecto? É útil, é necessário, torna a progressão mais
rápida. O intelecto facilita a libertação e a revelação. Não só
ele surge na cosmogonia do sámkhya,
como uma manifestação perfeita da prakruti,
como facilita o processo de libertação graças às suas possibilidades
dinâmicas. A intuição intelectual é ainda mais imediata do que a
intuição sensível. A consequência da identificação é que conhecer
e ser passam a ser uma e mesma coisa.
SAMÁDHI
Quando este fluxo continuo se mantém, os inumeráveis
pensamentos e distracções que perturbam se vão, a lucidez do yogi se
intensifica, excluindo toda a sonolência, dissipando a bruma mental, a
sombra, a reserva e revelando o objecto numa claridade directa e fixa,
continua, a meditação transforma-se em samádhi.
Yoga Sútra III – 3
Quando só o objecto da
meditação resplandece na consciência, esvaziando-se da sua própria
natureza, é o samádhi,
Ou seja e dito de outra forma, através de prátyáhara,
os sentidos retiram-se do mundo exterior e convergem na faculdade mental
(manas); pelo dhárana e pelo dhyána,
as modalidades do psiquismo são suspensas e unificadas ao eu individual
(ahamkara); no samádhi com suporte (sabija
samádhi), o eu é reabsorvido em buddhi,
o princípio da inteligência, do intelecto puro, informal e
supra-individual; no samádhi sem semente, Buddhi é ele próprio
absorvido no eu absoluto (purusha).
Vyása chega a proclamar Yoga é o samádhi.
O samádhi tem os
níveis. Níveis que o yoguin deve conquistar um a um. Não pode
saltá-los. Terá de passar pelo anterior antes de alcançar o seguinte.

Os
vários níveis de samádhi
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.NIRBIJA
SAMÁDHI
|
Dharma
megha samádhi (Nuvem
de virtude)
|
|
Sem
semente ou
nirambala
samádhi
(sem
suporte)
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Kaivalya
(libertação)
jiva
mukta
(o
liberto vivo)
|
|
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SABIJA SAMÁDHI
(com semente - com suporte)
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Asampragñata samádhi
(supra
cognitivo)
|
(os samskaras
são os únicos obstáculos neste nível.)
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Sampragñata samádhi
(cognitivo)
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Sasmita
samádhi
(sobre
o eu)
|
mahat
|
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| Sananda
samádhi
(felicidade)
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(manas/amkara)
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Nirvichara
samádhi
|
(objectos
subtis/tanmatra,
sem tempo)
|
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Savichara
samádhi
|
(objectos
subtis/tanmatra,
tempo presente)
|
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|
Nirvitarka
samádhi
|
(objectos
grosseiros, agregados de átomos, como um todo) |
|
|
|
Savitarka
samádhi
|
(os
objectos gros-
seiros, compreensão dissecar)
|
| |
|
|
|
|
SABIJA
SAMÁDHI
SAMPRAGÑATA SAMÁDHI
(Cognitivo)
Neste nível, seja qual for o objecto sobre o qual o Yogi faça samyama, obtém um conhecimento integral. Divide-se em,
Savitarka
samádhi - samádhi
argumentativo:
a noção do objecto, a palavra, que
designa o objecto, a percepção imediata deste está presente. Por
exemplo se utilizarmos como objecto uma flor, a palavra flor, a ideia
genérica de flor, a impressão senhorial criada pela flor, são
apreendidas em bloco.
Nirvitarka Samádhi : Samádhi
não argumentativo
- Neste o objecto revela-se directamente, despejado de toda a
representação mental.
SAVICHARA SAMÁDHI - Samádhi reflexivo -
Absorção dos elementos subtis, mas somente nas suas propriedades
presentes, condicionadas pelo espaço, tempo e causalidade. O yogi não
tem conhecimento do que foi ou será o objecto da meditação.
NIRVICHARA SAMÁDHI -
Este tipo de samádhi permite conhecer o objecto da meditação, dos eus
elementos subtis, mas também o seu passado e o seu futuro, ou seja a
totalidade de transformações de que o objecto é susceptível.
SANANDA SAMÁDHI - A
concentração é feita sobre objectos mais subtis. Sobre a substância
mental .Produz felicidade. Há um apaziguar das funções cognitivas.
SASMITA SAMÁDHI - É o
samádhi sobre o sentimento do
eu, ou sobre a pura consciência do eu., despojada de todos os
atributos. Até para lá do sentimento de beatitude do nível anterior.
É o samádhi sobre o conhecedor.
ASAMPRAGÑATA SAMÁDHI
(Supra
cognitivo)
Todos os vrtti
cessaram, só restam os samskara,
as impressões inconscientes.
NIRBIJA
SAMÁDHI
Dharma Megha samádhi
(Nuvem de
virtude)
Quando inclusive os samskara
cessam, quando cessa a distinção entre a consciência pura e a
consciência do Eu, então o yogi alcança Kaivalya
(libertação)
e é um jiva mukta
(o
liberto vivo).
É um verdadeiro estado de transcendência. O Yogi de algum modo
alcançou a unidade primordial, infinita e eterna, contudo, num corpo
finito e temporal
1 -
DANIÉLOU,
Alain,
Yoga, méthode de réintégration,
col. Nouveaux Commentaires, Sciences humaines, Civilizations, 2.ª
edição revista e aumentada, Ed. L'Arche, Agosto de 1983, Paris, 211 pgs..
2
- ELIADE,
Mircea,
Yoga, Inmortalidad Y Libertad,
Editorial La Pleyade, 1988, Buenos Aires, Argentina, 412 pgs..
3 -
Pátañjali et le Yoga,
col. «Maitres spirituels», Editions Le Seuil, 1989, Paris, 185 pgs..
4
- GOSWAMI,
Shyam
Sundar, LAYA YOGA. The definitive
guide to the chakras anda kundaliní, Ed. Inner Traditions, 1999,
Rchester, Vermont, USA, 342 pgs..
5
- MICHAEL,
Tara,
Yoga, col. Points - série
sagesses, Editions du Rocher, Janeiro 1995, Paris, 237 pgs..
5 - PÁTAÑJALI,
Yoga Sútra, tradução e
comentários De Rose, 2ª edição, Ed. Martin Claret e Uni-Yoga, 1996,
São Paulo, Brasil, 159 pgs..
6 - Sem autor conhecido, Os Upanishades, col livros de bolso, Publicações Europa-América,
1982, 115 pgs.
7
- SIVANANDA,
Swâmi
Sarasvati, La pratique de la
méditation, col. Spiritualités vivantes - Série Hindouisme, Ed.
Albin Michel, Março de 1982, Paris, 376 pgs..
8
- TAIMNI,
I.
K., A ciência do Yoga
(comentários sobre os Yoga-Sútras de Patañjali à Luz do Pensamento
Moderno), Ed. Teosófica, 1996, Brasília, 343 pgs..
9
- VISHNUDÊVÁNANDA, Swami, Meditacion
Y Mantras, edição abreviada, 2ª edição, col. El Libro de
Bolsillo, Alianza Editorial, 1984, Madrid, 317 pgs..
10 - VYASSA, Poema
do Senhor (Bhagavad-Guitá), Transcrição, Introdução, Notas e
Glossário de António Barahona. Edição patrocinada pela Fundação
Oriente, Relógio D’Água Editores, Novembro de 1996, Lisboa, 457 pgs..
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