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SHU
É
um antigo termo para designar a aprendizagem do kata.
"Le premier théoricien du kata étant Zeami (1363-1443) dans le
théâtre NÔ" .
A
aprendizagem de um kata
implica, numa primeira fase um simples exercício de observação. E a
partir dessa observação gestual, o praticante reprodu-la e assimila-a.
É a assimilação da forma exterior do kata.
Esta etapa tem o nome de SHU. Esta palavra tem a
sua origem em mamaru, que
significa proteger, observar uma regra.
Na fase SHU pretende-se proteger a forma para a conservar. É a etapa
onde se assimila fisicamente as bases fundamentais da arte. É a parte
em que se estuda e memoriza a gestualidade da forma. A reprodução do
modelo limita-se a uma reprodução física. É o estudo elementar,
aquilo a que se designa por ushin,
mas que exprime a primeira preocupação do praticante, aquela de
reproduzir o que ele vê em primeiro tempo. Ainda é a mente que faz as
técnicas. O discípulo observa a arte do mestre, reproduzindo-a.
Procura a reprodução que convém à sua própria constituição
física. É o estudo pela imitação, decalcada do modelo exterior.
Resulta da representação
mental ou imagem do movimento. O budoka
tem uma representação mental do kata
que vai executar. Quanto mais nítida essa representação mais
possibilidades de a execução ser perfeita. Esta representação faz-se
com os dados provenientes das memórias visual, táctil, auditiva,
labiríntica e cinestésica. Consiste numa programação antecipada do
acto motor.
É o córtex cerebral a base
anatómica desta função. A imagem do movimento é transmitida aos
centros nervosos adequados – a região temporo-frontal. Em seguida
dá-se a impulsão motora voluntária com a transmissão da imagem pelos
neurónios piramidais corticais até aos músculos, que realizarão as
contracções musculares necessárias. Após a execução é feita a
regulação motora, onde ocorre uma tentativa permanente de adaptar o kata
à representação mental inicial.
Esta
primeira fase da aprendizagem kata
é a fase cognitiva. A compreensão do objectivo proposto e as
componentes da tarefa motora constituem as principais preocupações do budoka. Este terá que analisar a tarefa, decidir o que fazer, o que
não fazer, quando fazer, seleccionar as informações mais relevantes.
É o estado "de l'élève qui a tout à apprendre"
Característico desta fase é a
quantidade enorme de erros que são cometidos no desempenho. Para além
disso o praticante tem dificuldade em perceber o que está mal e em
discernir o que corrigir afim de melhorar o desempenho. A ajuda do
professor é indispensável devendo fornecer-lhe a informação mais
relevante para o desempenho da tarefa. O feedback, ou seja a informação de retorno suplementar é
importante nesta fase.
O
budoka sente o seu progresso e
o domínio cada vez maior da técnica, tal como lhe foi demonstrada e
tal como a imita. Visto de outra maneira, é também a fase em que o ego
se exalta pelos evidentes progressos.
Este é o estádio mais comum
de compreensão do kata, mesmo
para muitos budokas com uma
graduação elevada.
HA
HA
significa destruição.
É o princípio da interiorização do estudo por uma destruição do
modelo imitado. É uma busca do que está para lá do modelo. É uma
etapa muito rica do kata.
Embora consista na destruição do kata.
É a etapa do estudo profundo de um kata,
junto de um mestre habilitado a ensiná-lo, procurando a descoberta de
todos os seus segredos. Exteriormente poderá não haver diferença
visível da execução técnica, mas o trabalho mental é intenso,
implica uma desconexão entre o movimento e a mente. É a fase do estudo
e da compreensão da utilidade de cada gesto. Estes têm a sua
significação cognitiva e são sentidos fisicamente. Há hesitação no
progresso do estudo. Pois a sensação física da execução de uma
técnica perfeita e eficaz deve ser acompanhada de uma necessária
compreensão intelectual. Sente-se o que se faz, mas sabe-se porque se
faz e pode explicar-se a razão do que se faz. Este estado é de "création intérieure, stade ultime sur le plan
technique" .
Em termos psicomotores esta
segunda fase caracteriza-se pelo aumento da consistência e estabilidade
do desempenho da tarefa motora. O número de erros tendem a diminuir. O
que revela que o budoka se encontra neste nível. Este passa a ser capaz de
determinar e corrigir os erros do seu desempenho. Os movimentos deixam
de ser grosseiros e tornam-se mais harmoniosos e bruscos. Observa-se
ainda a redução de sincinésias . O processo de
aprendizagem implica frequentemente o controlo de reflexos ou a sua
inibição. É o processo de dissociação de sincinésias, ou seja,
inibir um passado motor inato ou adquirido. É feito de modo voluntário
pelo próprio. Há isolar a zona, tomando consciência da contracção
exagerada ou inadequada e reduzir a tensão.
RI
RI
corresponde ao estado de mushin,
o espírito sem limites e significa afastar-se, suprimir. Neste estádio
ocorre a execução técnica no momento certo. A técnica flui sem
reflexão prévia. Nesta fase o budoka
esquece o kata porque se
"exécute un acte conforme au kata,
on est le kata, on fait le kata."
Nesta fase, nos aspectos
psicomotores, a independência da prestação motora relativamente à
necessidade de atenção consciente sobre a execução da tarefa
caracteriza a terceira e última fase da aprendizagem - a fase
autónoma.
O sujeito domina e automatizou
o movimento, então liberta-se para se centrar em outros aspectos
relevantes, como seja a crescente capacidade de antecipar a resposta em
função de determinado estímulo. A baixa frequência de erros é
evidente e manifesta-se no elevado nível da resposta. Visto de outro
modo é a fase em que "l'élève
se sépare de son maître pour enseigner ses propres conceptions et
devenir lui-même un maître" .
SHU
HA RI e SHIN GHI TAI
SHIN GHI TAI é
o conjunto de espírito, carácter (shin); de técnica (ghi);
e dos elementos corporais (tai),
como a posição, o movimento, a energia física. Cada um destes
elementos tem uma intensidade diferente em cada uma das etapas shu ha ri.
No primeiro estádio SHU,
são predominantes o ghi
e o tai.
Neste estádio a gestualidade, a imitação do gesto, a reprodução do
modelo dado, é essencialmente técnico e físico. O espírito
encontra-se em estado de ushin.
Na etapa HA,
o estudo continua a ocorrer através das sensações físicas, mas
também a través de uma compreensão cognitiva cada vez mais intensa.
São predominantes ainda o ghi e o tai. Pois continua o
budoka em estado ushin.
Na última etapa, RI,
shin ghi tai,
harmonizam-se e fundem-se. O budoka
atinge o estado de mushin. É
possível a reacção espontânea face a não importa que ataque, com
eficácia absoluta do corpo e da técnica. Algo reagiu. Algo lutou e
venceu. Algo que não a mente de vigília.
Mazac, "L'évolution de sa propre progression par l'étude du
kata", Bulletin Académie de Judo Michigami.
Ushin - estado de pensamento presente.
Habersetzer, Le guide Marabout du Karaté, pg. 379.
Habersetzer, Karaté-DO Kata
- Koshiki no Kata. Les
formes anciennes, tomo 3, pg. 35.
Sincinésias são contracções desadequadas em função do
objectivo a concretizar. Podem identificar-se as seguintes
sincinésias:
1
–Reflexos tónicos de equilibração.
2
– Coordenações primárias.
3 -
Irradiação contralateral.
4 -
Automatismos adquiridos por aprendi-
zagem
Mushin ou munen
- perfeita liberdade do estado mental. Não pensamento. Não
mente.
Mazac, "L'évolution
de sa propre progression par l'étude du kata", Bulletin
Académie de Judo Michigami.
Habersetzer, Le guide Marabout du Karaté, pg. 379.
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