|
1. TRADICIONALISMO VERSUS CIÊNCIA
Originalmente tudo está bem (tal como é).
Originalmente não somos nada (tal como somos)
Hôgen Daidô
No início reinava a magia.
Era o desconhecido, o deslumbrante, o
quase impossível: era o reino dos truques, transmitido por uma
linguagem espectacular e aliciadora que era apanágio apenas de uma
elite.
Era uma imagem sedutora.
A imagem publicitou-se e alastrou captando
novos adeptos.
A prática começou a desenvolver-se
agarrada a conceitos tradicionalistas e empíricos, ficando por estudar,
por definir e até compreender toda a materialidade que une
permanentemente o visível - aquilo que se apresenta - e o invisível - o que
é necessário para se chegar àquela apresentação - recorrendo somente
ao acessível aos sentidos.
Mostrar uma prática que parecia imbuída
de forças provenientes do além era suficiente para admitir a sua
autenticidade sem se colocarem interrogações sobre os seus
antecedentes sobre os mecanismos da sua acção. Realizar essa prática
tratou-se de uma experiência que conduziu o pensamento para fora de
todo o esquema racional fazendo com que a imitação e a coincidência
fossem tomadas como prova de verdade.
A nossa experiência no Karate-Do, devido
à acção de alguns neófitos intitulados "Mestres", partiu
de verdades reveladas, nunca justificadas, mas em que tínhamos de
acreditar. Apresentou-se como uma prática dogmática e intransigente,
camuflada aqui e ali por um espírito pseudo-científico, muitas vezes
com finalidades utópicas.
A acção desses "Mestres" fez
do Karate-Do um exercício lógico sistematizado que avançou através
de desenvolvimentos escolásticos. Pretenderam descobrir e evoluir com
uma prática demasiado ortodoxa, repetitiva e estagnante. Fizeram com
que o Karate-Do adquirisse uma nova roupagem transformando algumas das
suas componentes, sujeitando-as a regras para lhe chamarem competição,
pressupondo explorá-lo como desporto.
É urgente desmistificar o Karate-Do.
É urgente transformar o Karate-Do num
método científico já que o Karate-Do terá de formar homens física,
técnica e mentalmente Homens, assim como terá de formar homens
humanamente Homens.
2. MESTRE VERSUS PEDAGOGO
Que deve conhecer o professor de latim que ensina o João?
- O professor efectivo responde: o latim;
- Um pedagogo responderia: o João.
Georges Mauco
Ao contrário do que a maior parte de nós
imagina, o termo "Sensei" não significa "mestre".
Decompondo etimologicamente a palavra, "Sen" significa
"antigo, que se antecipou", enquanto "sei" está
imbuído do conceito de "existência, pureza". Logo, "Sensei"
é aquele que existe antes de nós em determinado campo e que detém uma
existência pura, exemplar.
Os japoneses chamam Sensei aos seus pais,
ao seu médico, ao seu professor... e dentro das Artes Marciais o
título de Sensei é aplicado àquele que ensina como verdadeiro
pedagogo, àquele que forma, àquele que se situa verdadeiramente dentro
da via - daí a existência do termo "Do".
Entre nós é comum chamar-se "Sensei"
ao instrutor que ensina num Dojo e muitas vezes chama-se
"mestre" ao todo poderoso da sua Associação.
O estatuto de Sensei não se adquire só
no Dojo em relação à prática e ao ensino, nem só por esta ou aquela
graduação. O estatuto de Sensei conquista-se principalmente pelas
atitudes e experiência de vida no dia a dia. Pelos exemplos que
conhecemos de muitos dinossauros do Karaté-Do, concluímos que andamos
a chamar erradamente de "Sensei" a muita gente...
Aquele que pura e simplesmente transmite a
sua técnica, aquele que ensina o que lhe ensinaram e que faz com que os
seus alunos o imitem não é um Sensei. Aquele que não tem um
comportamento digno, honesto, ética e deontologicamente exemplar fora
do Dojo, não pode ser chamado de Sensei.
No entanto estamos fartos de ver
"Mestres" que não passam de discos partidos e que fazem dos
seus alunos papagaios...
"Não se ensina o que se sabe ou o
que se julga saber; ensina-se o que se é."
"Qualquer método pedagógico vale o
que valer aquele que o aplica."
Os que examinam pelo simples facto de
angariarem fundos, para si ou para a sua Associação, ou para
justificarem a subida de graduação dos seus subalternos apresentando
"quadros" (com progressão rápida dentro da
"carreira" ostentando altas graduações) não podem visar o
título de Sensei. Muito menos quando examinam e aprovam! Sem esperarem
que os examinados adquiram conhecimento e experiência, e façam
progressos. De certeza que esses "Mestres" não conhecem a
história do rei que sabia esperar a hora apropriada para ordenar ao sol
que se escondesse claro que era sempre obedecido!
Aquele que se serve dos alunos em vez de
os servir e que sobre eles exerce a sua autoridade, esquecendo-se que
"o que a torna válida não é a categoria da pessoa que a exerce,
mas o facto de estar ela própria, a despeito, às vezes, das
aparências, ao serviço dos interesses daqueles sobre quem se exerce
" encontra-se longe de ser um Sensei.
São estes "Mestres" que têm
vinculado o ensino do Karaté-Do entre nós. Um ensino mais simplista
que experiente, mais moralista que moral, mais imitador e empírico que
criativo, mais demagógico que científico.
Isto, porque os "Mestres" que
temos são mais pedagogistas que pedagogos, ou talvez pedabobos...
Foram eles que transformaram uma arte de
formação integral da personalidade humana numa amálgama de
actividades orientadas para dois pólos: competição e exames de
graduação.
Pergunta-se: (Não haveria Mestres sem Dan?).
3. COMPETIÇÃO VERSUS FORMAÇÃO
Desporto e pedagogia se os juntassem como irmão esse conjunto daria
verdadeiros cidadãos? Assim, sem darem as mãos o que um faz, outro
atrofia.
Sendo a vida diária uma competição,
não é desajustada a competição como forma desportiva, mas sim o seu
conteúdo e a maneira de se exercer essa competição, assim como o modo
de se situar dentro dela.
É necessário transformar a competição
num acto pedagógico. É necessário não por em jogo as taças e as
medalhas, mas sim o procurar constante do aperfeiçoamento e da
superação dos próprios atletas.
E se se pretende um desporto completo,
formativo, não poderá haver dicotomia entre Kata e Kumite (o ginasta
faz tapete, argolas, paralelas, etc.). Os lugares alcançados pelos
atletas deveriam ter em conta estas duas provas, o que passaria por
eliminar os especialistas numa só modalidade. Isto pressupõe um novo
modelo de competição onde, a nível individual, o lugar alcançado
seria o somatório entre as duas provas executadas pelo mesmo atleta. E
porque não incluir, à semelhança dos outros desportos (ginástica,
patinagem no gelo, etc.) uma prova que seria um misto de Kata e Kumite,
talvez um Jyu-Ippon-Kumite ou uma Bunkai Kata, a qual seria atribuída
uma nota técnica e uma nota artística que também contribuiriam para
esse somatório? A nível de equipas, não poderiam ser os três
elementos de Kata os três elementos de Kumite? Não poderia ser a
pontuação final da equipa o somatório destas duas provas?
Claro que se pode contestar que haveria
uma menor participação de atletas num campeonato, que haveria uma
maior sobrecarga dos mesmos, que passaria a haver um elitismo maior do
que o que já existe, que no aspecto do treino se teriam de
profissionalizar.
Atletas e Treinadores, e mais um sem
número de objecções...
Mas pergunta-se: Não haveria atletas mais
completos? Não se treinaria com outros métodos o outros objectivos? A
nível de público, não seria mais rico o espectáculo? A competição
não estaria assim mais perto do verdadeiro espírito do Karate-Do?
4. EXAMES VERSUS AVALIAÇÃO
Três coisas pedimos à vida: a coragem de mudar o que pode ser mudado;
a humildade de aceitar o que não pode ser mudado; a inteligência para
distinguir uma coisa da outra.
Provérbio Chinês
Todos nós fomos habituados a ver as
diversas cores dos cintos dos praticantes de Karate-Do. Sempre nos
disseram que foram instituídas porque o espírito ocidental necessitava
de um estímulo, de um incentivo... mas poucas vezes as graduações nos
foram apresentadas como representando uma competição connosco
próprios ou como a superação de determinadas dificuldades e o atingir
de certos fins.
Têm sido as graduações apresentadas
como sendo uma promoção e uma recompensa esquecendo-nos que "a
recompensa é, tanto como o castigo, uma sanção." (4)
Até hoje, nunca vimos um cinto servir
senão para manter o casaco do Gi fechado... embora haja pessoas a quem
o cinto suba à cabeça! Deveriam usá-lo como um "hachi-maki"...
Há que discernir entre o
atribuir-se/conquistar-se uma graduação e o realizar-se um exame de
graduação.
"Prémios demasiado frequentes
indicam ao general estar no termo das suas capacidades; castigos
demasiado frequentes indicam estar profundamente aflito." (5)
Um exame devia pretender ser uma
avaliação pontual de conhecimentos técnicos, práticos, físicos e
até mentais e éticos e uma observação sobre atitudes e decisões
face a novas situações. No entanto os exames não são sequer uma
comparação em relação ao caminho percorrido, não só do seu Dojo,
mas também da sua Associação e do seu Estilo e muito menos em
relação aos praticantes do resto do País.
Os exames, só tem servido para atribuir
uma graduação ou passa ou reprova; os exames têm servido só para
verificar as aptidões do aluno e para observar e realçar as suas
dificuldades e, mediante um juízo, muitas vezes subjectivo, atribuir-se
ou não uma graduação.
Há que discernir entre exame e
avaliação.
Uma avaliação correcta deverá ser
formativa, sistemática e contínua, sendo aferida em relação à
planificação elaborada, ao programa existente, ao cumprimento dos
objectivos a alcançar e à prática realizada, traduzindo-se
essencialmente num juízo globalizante e fundamentado em dados
inquestionáveis.
Só depois de uma avaliação correcta se
pode aceitar o conceito de graduação e sua validade.
Quantos Mestres conhecemos que foram
graduados sem serem submetidos a exame de graduação e sem passarem por
todas as graduações? Quem examinou aqueles que detêm actualmente o
10º Dan, ou mesmo o 9º Dan?
A graduação não se dá nem se compra: a
graduação conquista-se, mesmo que ela não exista, por mérito
próprio.
A graduação é um vínculo que se
estabelece entre Mestre e aluno daí o conceito de Giri...
E aqui levanta-se a questão: pode um 5º
Dan graduar um aluno 4º Dan ou mesmo 5º Dan? Problema semelhante ao do
professor que se recusa a dar um 20, porque se lho der este saberá
tanto como ele...
Como dizem os japoneses, pobre do Mestre
que não tenta que o aluno o supere, mas ai do aluno que não se
esforçar por ser melhor que o seu Mestre duas atitudes raríssimas
entre nós! O "Mestre" porque continua sempre a ser o detentor
da verdade absoluta, imutável mantendo uma presença omnipotente, no
seu pedestal. O aluno, na sua ingenuidade e na sua idolatria pelo
"Mestre", basta-lhe ser igual a este. Atitudes, essas sim, que
criam um ciclo reprodutivo (o aluno vai-se construindo à imagem do
mestre até ser também divinizado) embora de nível decrescente e de
qualidade cada vez mais inferior.
Servem então os exames de graduação
para criar uma hierarquia onde há dominantes e dominados a qual vai
sendo estabelecida em duas ou três horas, de três em três meses
muitas vezes à porta fechada e somente para justificar essa hierarquia,
espaço de tempo mais que insuficiente para analisar com consciência os
principais parâmetros, de cada dos examinados, em que assenta uma
graduação: Shin Kororo (espírito, mental), Ghi Waza (técnica,
prática) e Tai Harada (corpo, condição física).
Diz-se que a experiência é a madre de
toda a sabedoria. Mas com o decorrer dos anos, com a cristalização da
massa encefálica, a experiência é muitas vezes, afinal, a madre de
todos vícios e de todas as tradições obsoletas. "Quando há
chefes incompetentes no campo de batalha, o sangue dos guerreiros é
desnecessariamente derramado."
Sem um programa concreto, sem uma
planificação baseada em objectivos específicos, métodos científicos
e actividades cientificamente organizadas, não poderá haver uma
avaliação válida. Sem uma avaliação válida não poderá haver um
progresso nem evolução. Chegar-se-á então ao ponto de ruptura, ao
descrédito e à frustração, por si difíceis de atingir pois o que é
que haja quem acredite no actual sistema... e que continue a haver!
PAGUE-SE O EXAME E RECEBA-SE O DIPLOMA!
5. DIPLOMAS VERSUS REALIDADE
Não são apenas os que são experientes e sábios que têm mestres, os
tolos também têm os seus.
Uma Associação legalmente constituída
tem a faculdade de poder emitir diplomas e conferir graduações aos
seus associados daí o cada "Mestre" (ou mais humildemente
Instrutor-Chefe) ser o patrão da sua própria "Universidade".
E dos muitos que vão "beber" a
essa "Universidade", uns ficam de tal maneira etilizados que o
melhor remédio que encontram para a ressaca é não saírem da
bebedeira; outros, ao constatarem o modo como essas bebidas estão
inquinadas e que afinal o "Mestre" não passa de uma
"Rainha de baile" resolvem bater com a porta...
O valor desses "Mestres" é
confirmado não pelo número de cintos negros que forma (ou disforma)
mas sim pelo número daqueles que com ele permanecem desde o início e
que consigo continuam.
E aqui se levanta mais uma questão:
quando se rompe o Giri, quando há uma cisão, de quem é a
responsabilidade? De quem detém o poder ou o dissidente?
O aluno é diplomado de Kyu em Kyu, de Dan
em Dan, e mais tarde torna-se o próprio "Mestre". Mas isto
aconteceu simultaneamente com mais 7, 8 ou 9 colegas seus. E o ciclo
irá repetir-se eternamente... (já imaginámos que se cada 11 jogadores
de uma equipa de futebol todos abraçassem a carreira de treinador no
fim da sua vida de atletas, teríamos mais treinadores que jogadores?)
até que daqui a uns anos, quando desaparecem os barões que polulam no
nosso País, esses 7, 8 ou 9 "Mestres" andarão às cabeçadas
para saberem afinal qual é o digno sucessor modelo mais uma vez
reprodutivo daquilo que se passa no Japão.
Em Roma, os gladiadores dividiam-se em
duas espécies: os vitoriosos e os mortos.
Os vitoriosos eram-no apenas até ao
combate seguinte, onde tudo se iria jogar de novo. Os derrotados, não
tinham sido mortos pelos seus colegas, eles também escravos, mas sim
pelos senhores, ávidos de espectáculo, que se sentavam nas bancadas a
aplaudir, saboreando em delírio o sangue derramado.
Mas o último gladiador, o vencedor de
todos os combates, sabia que se não se pudesse sentar na bancada dos
senhores, não teria ganho mais do que a incerteza de novos combates.
Haverá então, para que esses
"Mestres" se sentem na bancada dos senhores, o recorrer ao
currículo, aos estágios, aos títulos, aos diplomas...
Muitos desses "Mestres"
chorariam amargamente o seu infortúnio, se lhes destruíssem os
diplomas e os respectivos registos (se é que existem). Se nenhum
panfleto comprovativo das suas qualificações pudessem exibir, talvez
emoldurado numa parede do Dojo, perante os seus aduladores, os seus
súbditos, seria um autêntico desastre.
Contudo, outros haveria a quem isso pouco
incomodaria: os verdadeiros Mestres, pedagogos, técnicos e
investigadores permanentes. Para estes, o canudo serviu apenas para
satisfação de amigos, vizinhos e familiares e para preencher os
requisitos de uma sociedade burocratizada. A esses, a ausência de
diploma nada significaria. O seu diploma genuíno está dentro do seu
cérebro, no seu sangue, na sua prática, no repetir o que sabe e,
consequentemente, a ser mais enriquecido e mais qualificado. O
pergaminho de caprichosa letra gótica ou de caracteres orientais
rendilhados, será mais considerado como uma fronteira, uma metafísica
a ultrapassar.
Há praticantes, verdadeiros Mestres, que
há muito enriqueceram o que e como lhes foi ensinado, sobrepondo a essa
prática e a esses conhecimentos, outros de valor mais profundo,
actualizado e eficiente.
Entretanto, existem os que deixam ficar a
contemplar, refastelados, o venerado "papiro" encaixilhado com
penas de pavão, lisonjeando-se narcisísticos do "esforço
dispendioso" (nunca em quantidade investida) para alcançar tão
precioso galardão. A diferença entre estas duas classes de técnicos
é abissal!
Uns quedam-se satisfeitos com a sua omni-sapiência,
com a sua poltrona na bancada dos senhores quando afinal não passam de
escravos do diploma!
Os que pretendem evoluir (talvez até nem
tenham brilhado muito) possuem em si o dom da persistência indómita e,
ao invés dos acomodátícos, praticam, estudam, aperfeiçoam-se,
ensinam, trocam experiências, investigam e, ao contribuírem eles
próprios para esse avanço técnico, são dignos de serem tratados por
Sensei (sem necessitarem do Dr. antes do nome ou de títulos como Renshi,
Kyoshi, Hanshi ou Shihan).
Estar preparado para demonstrar as suas
aptidões e capacidades, mesmo que esse momento nunca aconteça, é um
misticismo superior, que, ou se nasce com ele, ou se alcança após
muitos anos de esforço e coloca esses praticantes num estádio
superlativo.
Se só raciocinarmos em termos de
binómios de trabalho recompensa, mais esforço prémio especial e
produção excepcional consagração e glória, então é porque o nosso
esquema mental já está petrificado e é de facto o mundo que gira em
torno do nosso "Eu".
Um indivíduo que possui os cromossomas do
sublime e da busca da verdade procura constantemente evoluir, aplica-se
e aperfeiçoa-se para poder contribuir em prol dos que o rodeiam, em
oposição aos que, encerrados na sua casca de ostra, esperam obter
administrativamente benesses e fama graças aos louros que lhe foram
concedidos.
Abstrair-se dos diplomas, despojar-se da
graduação, é prova de independência, de uma vivência pura, de uma
experiência sã e honesta, de valor intrínseco, mas só pode ser
tornado realidade por aqueles que estão constantemente a valorizar o
seu arquivo interior e a compartilhá-lo.
O substrato desse activo (o tal que nem a
traça corrói, nem os ladrões roubam ou o fogo destrói) avança, ele
próprio, rumo ao que é superior e inalienável.
Ignoremos pois os Diplomas! Encaremos a
realidade!
Armando Inocentes
Artigo publicado na
revista «Bushido - Artes Marciais e Desportos de Combate»,
respectivamente no n.º 68 de Novembro de 1995 e no n.º 69 de Janeiro de
1996 (pp. 9-11).
|