ASSOCIAÇÃO SHOTOKAI DE PORTUGAL
40 ANOS A ENGRANDECER O KARATE-DO SHOTOKAI
Representante em Portugal da Nihon Karate-do Shotokai
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Mestre Ceia

 

Memorial de Estágios / Stage Memorial

ÍNDICE
Torrão - Maio de 2006 Sintra - Maio de 2006 Muro - Abril de 2006
Aroeira 2004 UBU 2004 Shotokai International Meeting
2003
1º Estágio da APAE-BUDO - 2003 Aroeira 2001 Aroeira 2000
Aroeira 1993 A História do Estágio da Aroeira Aroeira's Stage History

 

 FALECIMENTO DE RÓMULO CRISTÃO

(Clique aqui para ver O Boletim Shoto de homenagem a Rómulo Cristão, 2º Dan)


 FALECIMENTO DE MESTRE MANUEL CEIA

(Clique sobre a imagem ou aqui para ver a página de homenagem a Mestre Manuel Ceia, 5º Dan)

 

Torrão - Maio de 2006

 

DO, HARMONIA E... UM BOM COZIDO!

 

Dizia-me, enquanto caminhávamos por um carreiro ladeado de frondosas árvores batidas por suave brisa fresca, em contraste com as melodias de alguns passaritos Alentejanos, um dos Karate-Deshi Alentejanos:

- Aqui o Karate-Do é elástico e deslizante como os ramos destas árvores e penetrante como os silvos dos passarinhos que nos entram nos ouvidos e quando param, vêm aquele silêncio que nos convida á meditação. Voçês lá na cidade não têm disto! Estais rodeados de cimento, de alvoroço, de crispação e cobertos pelo ruido destruidor das máquinas em movimento. Que pena!...

O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Álcacer do Sal, Arq. Pedro Paredes - Karate-Deshi e instrutor da nossa Associação - surpreendeu-nos no bom sentido, com um Dojo improvisado sobre terreno bem nivelado e coberto para o efeito com terra muito especial a imitar a areia da praia.

Infelizmente, não pudemos treinar nesse Dojo. O sol já ia alto. Eram 10h30 e o calor era insuportável.

Mesmo assim tirámos uma foto com todos os Praticantes e Professores.

Resolveu-se então ir para mais perto da Barragem de Vale do Gaio; mais para a sombrinha.

Antes do início da aula de Karate-Do o Arq. Pedro Paredes, manifestou-se muito radiante e agradecido com a presença de todos os Karate-Deshi e Professores, participantes. O Professor Manuel Banha, um dos organizadores locais e Presidente da Direcção da ASP Informou que tínhamos à nossa disposição um pequeno e improvisado balneário, onde inclusive se poderia tomar um "duche". Poderíamos também aproveitar um dos acessos à barragem, situado mesmo atrás de nós, e darmos uma banhoca; para os adultos sem qualquer perigo e para as crianças desde que acompanhadas por um adulto...

Informou que um evento destes sem a tradicional cozinha Alentejana não estaria completo:

- Amigos, temos ali um cozido à Alentejana com carne de javali, costeletinhas, os bons enchidos e muito molhinho para molhar o pão ( claro! pão Alentejano também) e "pinga da boa".

Iniciada a aula de Karate-Do o Professor José Patrão explicou a todos, onde se incluía o público em geral e familiares, o que é o nosso Karate-Do, a sua tradição, etiqueta e filosofia. Brindou a nossa participação, com a prática de Tenshingoso, um Kata de O-Sensei Egami. Alegrámos as crianças com jogos marciais que incluíram uma fortíssima participação dos Adultos de todas as graduações.

Finalmente o repasto: imagine-se uma panela com 75cm de diâmetro por 30 cm de altura lentamente cozinhando em lume brando, para apurar, o bom cozido Alentejano! Ah esgotou, esgotou! Nem se esperava outra coisa.

Entretanto aqui, e ali, as famílias salpicavam o ambiente com os familiares petiscos caseiros: a bela febra o entrecosto no churrasco, etc..

Este encontro Nacional, carregou na tecla do "DO", na filosofia de vida, na harmonia do convívio e sobretudo no que sempre retemos indissoluvelmente presente à medida que vamos caminhando.

 

José Alexandre Gueifão

Comemorações do 30º Aniv.
do Núcleo de Sintra Maio de 2006

 

PARABÉNS SINTRA!

Realizou-se no dia 20 de Maio de 2006 a primeira Festa do 30º. Aniversário do CENTRO SHOTOKAI DE SINTRA em Mem-Martins. ( "Primeira" porque a Festa é Rija e vai haver muitas mais ao longo do ano. Até porque sabemos que os Karate-Deshi têm como lema "AS REPETIÇÕES". A próxima será já em Outubro deste ano. Que fiquem desde já preparados os que não puderam ir a esta! ).

Ao chegarmos ao Dojo, estavam presentes, logo á entrada, o Professor Carlos Costa e um dos nossos dirigentes o Karate-Deshi Abel Cruz. Foi muito agradável a recepção!

A Aula foi magnífica. Fez-nos recordar as saudosas aulas do nosso Saudoso Mestre Tetsuji Murakami. O ritmo, os movimentos em profundidade e "baixinho" como só o Prof. Carlos Costa sabe tão bem exemplificar. Tivemos alguma assistência. "Sim Senhor" .

E no final uma gentil espectadora, utilizando a câmara do Karate-Deshi Jorge Gonçalves, tirou-nos a fotografia...

Depois da Aula o Professor José Pascoalinho fez-nos a exibição da viagem dos nossos Delegados que em representação da ASP se deslocaram à Nihon Karate-Do Shotokai, Dojo Shoto-Kan para as Comemorações do 70º Aniversário do Dojo Central. A Nossa Representação foi Chefiada pelo nosso Mestre Mário Rebola. Vimos e escutámos com muita alegria as explicações do Prof. José Pascoalinho do que foi em fotos e em vídeo a nossa presença no Dojo Central.

Terminou-se o dia com um bom jantar de convívio entre todos os Karate-Deshi e Professores.

José Alexandre Gueifão

ENP - Muro Abril de 2006


Realizou-se no dia 22 de Abril de 2006 um Estágio de Karate-Do no Dojo do MURO/TROFA. Dojo orientado pelo nosso Instrutor Nortenho Arlindo Gonçalves Ferreira.

O Estágio teve a participação de 20 praticantes de ambos os sexos e foi orientado pelo nosso Coordenador Técnico José Patrão 4º. Dan.

É de salientar a presença da Delegação Alentejana com forte participação do nosso Presidente Manuel Banha, Vice Presidente José Luís Mansos e do nosso Tesoureiro Hercílio Castro entre outros Alentejanos.

Desta vez não trouxeram os chouriços e a pinga, mas trouxeram as pernas bem musculadas e aptas para o excelente trabalho de Karate-Do que fizeram.

A tradicional cortesia dos Nortenhos proporcionou a todos os praticantes um óptimo Restaurante que serviu um bom almoço com todos os requintes.

Durante o repasto, e para não variar, só se falou de Karate-Do. E teremos que ir ao Torrão e também a Amarante, etc., etc... Manifestou-se o desejo de que cada vez mais haverá necessidade de Estágios que contentem o interior de todas as regiões.

 


Em breve, aqui, fotos sobre o Estágio do Muro/Trofa

O nosso Professor José Patrão deliciou-nos com um óptimo trabalho de base o qual foi para os menos graduados do Muro um óptimo "trabalho para casa" e para os mais graduados "cintos castanhos e negros" uma grande referência do que se deve desenvolver no trabalho que o Mestre Murakami nos deixou.

Tivemos a presença de uma jornalista de um dos jornais do Norte, que entrevistou o José Patrão e o Arlindo Ferreira. Fez fotos do grupo e também foram tiradas fotos no decorrer do Estágio.

Finalmente recebemos uma Entidade pertencente a uma Associação do Norte com quem, após o Estágio, tivemos uma pequena reunião - parece-nos que iremos ter no futuro mais uma Escola de Karate-Do nessa Associação. O nosso decano Georges Krug ficou encarregue de dar o devido seguimento ao assunto.

  José Alexandre Gueifão

Estágio da Aroeira 2004

O Estágio da Aroeira na sua edição de 2004 foi um sucesso, tendo o número de praticantes ultrapassado as expectativas.

A responsabilidade técnica do estágio coube ao Jorge Costa, 3º Dan, tendo optado por um estágio centrado nas posições e técnicas de base, com Kihon's muito longos e duros.

O Mário Rebola, 4º Dan orientou a última meia-hora de treino para cintos negros, centrando-se no estudo dos Kata's mais evoluídos: Tekki-Nidan, Jihon, Empi, Hangetsu e Gankaku.

Um ponto alto foi a aula dos veteranos de Sábado dia 31 de Julho, onde se reencontraram rostos já quase esquecidos na nossa memória e um pouco enrugados. 

Para a história fica também o midare com múltiplos adversários do último Sábado!

Seguem-se umas estatísticas do Nuno Figueiras, em jeito de ficha técnica.

José Patrão.

Após o findar do estágio da Aroeira, será então altura de se fazer um pequeno resumo e balanço do mesmo.

Participaram ao longo deste estágio 67 praticantes que realizaram pelo menos uma aula do mesmo.

A participação por aula dos praticantes ficou assim distribuída:

2ª Feira - 26/07/2004 - 42, 
3ª Feira - 27/07/2004 - 37
4ª Feira - 28/07/2004 - 34
5ª Feira - 29/07/2004 - 33
6ª Feira - 30/07/2004 - 42
Sábado - 31/07/2004 - (manhã) - 21
Sábado - 31/07/2004 - (tarde) - 54
Domingo - 01/08/2004 - 22
2ª Feira - 02/08/2004 - 35
3ª Feira - 03/08/2004 - 30
4ª Feira - 04/08/2004 - 34
5ª Feira - 05/08/2004 - 30
6ª Feira - 06/08/2004 - 29
Sábado - 07/08/2004 - (manhã) - 13
Sábado - 08/08/2004 - (tarde) - 24
Domingo - 09/08/2004 - 14

Após analisar estes valores, chega-se à conclusão que o número médio de alunos por aula na primeira semana foi de 36, enquanto que na segunda semana foi de 26, notando-se assim um decréscimo significativo de praticantes durante a segunda semana de estágio.
A média global de alunos por aula durante todo o estágio foi de 31.
Existiu uma tendência de diminuição de alunos ao longo das aulas do estágio.
Como seria de prever, a aula de confraternização de sábado à tarde (na primeira semana) foi aquela que reuniu um maior número de praticantes - 54
O numero médio de aulas assistidas pela totalidade dos participantes neste estágio foi 6.

Em relação ao acampamento temos que o dia que registou um maior número de pessoas acampadas foi na quinta-feira, dia 05/08/2004, onde pernoitaram 18 pessoas.
Não nos podemos esquecer que este estágio decorre em regime de acampamento, sendo também esta componente um factor importante no estágio.

Falando agora sobre as várias graduações existentes, podemos ver que a distribuição dos praticantes por graduações no estágio ficou assim distribuída:

6º Kyu - 3, 5º Kyu - 6, 4º Kyu - 5, 3º Kyu - 6, 2º Kyu - 13, 1º Kyu - 11, 1º Dan - 7, 2º Dan - 5, 3º Dan - 10

Verificando-se um peso enorme da parte dos cintos castanhos (1º e 2º kyus) nas aulas.
Nota-se também a falta de praticantes com graduações baixas, o que pode denotar uma escassez de alunos novos.

Resta-nos então finalmente agradecer a todos os 67 bravos praticantes que participaram neste estágio pelo menos numa aula que foram os seguintes (ordenados alfabeticamente):

Abel Cruz, Alexandra Silva, Alexandre Gueifão, Ana Bela Martins, Ana Isabel Paiva, André Cruz, André Júdice, António Penetra, Carlos Almeida, Carlos Cabral, Carlos Caió, Carlos Faustino, Carlos Rogério, Daniel Silvestre, Diogo Rogério, Domingos Rato, Eduardo Alexandre, Elias Santos, Fábio Fragoso, Fernando Neto, Filha do Elias, Filho do Elias Santos, Firmino Ascensão, Francisco Carvalho, Francisco Conceição, Georges Krug, Gonçalo Páris, Gumersindo Pereira, Hans Brinkhaus, Helena Santos, Henrique Brito, Henrique Tavares, Hercílio Castro, Hugo Martins, Isabel Ferreira, João Figueiredo, João Geada, Jorge Bernardo, Jorge Costa, José Lopes, José Luís Mansos, José Manuel Araújo, José Martinho, José Pascoalinho, José Patrão, Luís Figueiredo, Manuel Banha, Maria João Fragoso, Mário Rebola, Mário Roque, Miguel Castro, Miguel Martins, Nuno Brito, Nuno Calado, Nuno Santos, Odete Martinho, Pedro Batista, Pedro Gueifão, Pedro Júdice, Pedro Maximino, Pedro Moreno, Renata Viegas, Rita Taborda, Rómulo Cristão, Rosa Brites, Susana Candeias, Vítor Rosa

A todos eles o nosso muito obrigado.

Cumprimentos a todos
Nuno Miguel Figueiras

(Clique aqui para ver o Programa do Estágio)

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1º Estágio da APAE-BUDO - Maio de 2003

Conforme foi salientado pelo Sr. Presidente da União Portuguesa de Budo (UBU) - Sensei
José Araújo - o 1º Estágio da APAE-BUDO foi "um acontecimento histórico", tendo cumprido
plenamente os objectivos a que se propunha:
- reforçar os laços de união entre os membros da Associação Portuguesa de Agentes de Ensino de Budo (APAE-BUDO)
- sentir e praticar a essência comum de todas as Artes do Budo.

As sessões realizadas, de uma elevadíssima qualidade técnica, como seria aliás de esperar, dada a longa experiência dos Sensei intervenientes, foram as seguintes:
- Yoga e Judo Tradicional: a cargo de João Camacho da Associação de Judo Tradicional de Portugal (AJTP)
- Iaido: a cargo de Joaquim Mendes e Manuel Rodrigues da Associação Portuguesa de Iaido
- Kendo: a cargo de Alexandre Figueiredo da Associação Portuguesa de Kendo - http://www.kendo.pt/
- Judo: a cargo de Leopoldo Ferreira da (UBU) - http://ubu.no.sapo.pt/
- Aikido: a cargo de:
    José Manuel Araújo da UBU,
    Jean Marc Duclos e Joana Duclos da Associação Portuguesa de Aikido e Disciplinas Associadas, http://www.apada.org/
    Pedro Escudeiro da Associação Portuguesa Aiki-Shuren Dojo - http://members.tripod.com/~jalrnc/aikido/
    Christophe Peytier do Aikido Sanjukan - http://www.sanjukan.org
- Karate-do a cargo de Óscar Romualdo da UBU e José Patrão da Associação Shotokai de Portugal (ASP) - http://www.shotokaiportugal.com - , com uma participação especial de Alexandre Gueifão, membro da União Portuguesa de Budo e Presidente da ASP.

As sessões de trabalho prolongaram-se por 4 dias (QUI-1 a DOM-4-MAIO) repartindo-se as práticas entre o Dojo Murakami da Caparica e o Dojo Sede da ASP. O dia 2 de Maio foi dedicado à apresentação do número 2 da Revista Mon (www.cao.pt/mon/) e à discussão acerca das datas, conteúdos e prelectores do 1º Curso de Agentes de Ensino de Nível 1 da APAE-BUDO a realizar em breve. Os restantes 3 dias foram inteiramente dedicados à prática das Artes acima mencionadas.

O Estágio encerrou com um almoço de confraternização no Dojo Murakami da Caparica preparado pela D. Sabina Patrão (que, apesar dos seus 83 anos de idade, preparou e serviu com alegria uma refeição com produtos naturais a todos os intervenientes), e com a entrega de "Diplomas de Participação" constituídos por obras de artesanato fabricadas manualmente por João Geada, praticante da ASP.

É ainda digno de nota o facto de, apesar do altíssimo grau dos professores que orientaram este evento, ter sido o mesmo rigorosamente gratuito. 

Estão pois de parabéns as três associações organizadoras deste evento - UBU, AJTP e ASP -  com especial destaque para o Centro de Artes Orientais (http://www.cao.pt), que congrega os Dojo's Murakami-kai de Almada da ASP e que comemoram este ano 30 Anos de Actividade ininterrupta em prol do Karate-do Shotokai.

José Patrão

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1st Shotokai International Meeting
Novembro de 2003

Decorreu em Novembro de 2003 na Cidade de Almada o 1º Encontro Internacional de Shotokai. 

Todas as informações sobre este evento em http://www.cao.pt/surya/jp_17_5e.htm

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Aroeira 2001

Fique com as impressões pessoais, de dois karate-deshi que participaram no treino especial
que decorreu entre as 4h da manhã e a meia-noite do dia 30 de Julho de 2001:

 

Aroeira 2000

(Click sobre cada imagem para ampliar / Click on each image for zoom in)

(Kihon, 20kb)

(Kumite, 17 kb)

(Iai-do, 21 kb)

(Kendo, 24 kb)

(Praxes1, 43 kb)

(Praxes2, 24 kb)

(Praxes3, 27 kb)

Como se adivinha pelas fotos acima, a edição 2000 do Estágio da Aroeira foi muito participada (cerca de 90 karatecas),  tendo o aliciante, de incluir, para além de 8 aulas de Karate-do Shotokai,  aulas de Iai-do, Kendo, Judo Tradicional e Aikido, ministradas por Mestres convidados. Além disso, como vem sendo tradição, realizaram-se uma série de Jogos de Campo em que os caloiros (ajudados pelos veteranos) foram como habitualmente os protagonistas.

(Se quiser saber mais sobre o estágio da Aroeira, clique aqui.)

 

Looking at the photos above you may guess that the 2000 edition of the Aroeira stage beyond a heavy participation (near 90), had a special add-on -  Budo Classes (Iai-do, Kendo, Judo and Aikido) leaded by invited masters. More than that: a number of open-field games were organized, wherein the tenderfeet (helped by the veterans) were protagonists.

(If you want to know more about Aroeira's stage click here)

Aroeira 1993

Foto de Grupo com a presença de Karatecas franceses. Aroeira, Julho de 1993

Group photo with the presence of french Karatecas at Aroeira, July of 1993

click here for English version

(Versão portuguesa)

A HISTÓRIA DO ESTÁGIO DA AROEIRA

Os antecedentes mais remotos do Estágio da Aroeira começam há mais de vinte anos com o instrutor Francisco Silva - na altura 2º kyu e ex-comando, acabado de chegar da Guiné - que propôs à classe de Karate-Do do Judo Clube de Almada a realização de um “treino de sobrevivência” à maneira militar, a realizar em pleno mês de Agosto na Comporta.
À medida que o instrutor ia preparando psicologicamente os “caloiros” para as agruras que os esperavam a lista de desistências ia aumentando. Eram as inesperadas férias dos pais, uma súbita dôr no joelho, etc, etc. Certo é que, quando se chegou à véspera do evento, dos trinta “corajosos” que se tinham inscrito, restavam apenas dois, para além do instrutor, claro está.
Calhou-me a “sorte” de ser um desses dois “mancebos”. Para além da dureza habitual dos treinos havia de tudo um pouco, desde encontrar lenha para cozinhar no mais árido dos areais, até refeições tomadas no fumo da fogueira para escapar a uma nuvem de mosquitos, passando por rastejar 200m “à crocodilo” sem deixar rasto na areia (!), mais provas de orientação nocturna, até à apoteose final de correr 5km descalço (!) às duas da tarde em cima do asfalto (a pele da planta dos pés ficou lá, logo no primeiro quilómetro !)... Enfim, uma recepção requintada para dois moços de 16 anos, até então ignorantes da disciplina militar que os esperava daí a pouco tempo, na preparação para a guerra colonial que pairava como um espectro sinistro no futuro de todos os rapazes de então.
Desde esse primeiro “estágio”, a tradição dos acampamentos de verão nunca mais cessou. É certo que os eventuais “exageros militaristas” do primeiro ano amainaram um pouco, mas ficou sempre o “bichinho”. Recordo com saudade, o treino das “1001 Taikyoku Shodan’s” - horas e horas repetindo incessantemente o “Hajime” ao luar na frescura da noite, na Praia de Alpertuche, na Arrábida. E o treino de Seiza no “ninho das águias” a meio de uma falésia de uma centena de metros sobre o mar. E os acampamentos na Lagoa de Albufeira, com o armar das tendas já noite escura e o desarmar antes do Sol nascer por causa dos “cabos do mar”. E a tradicional apoteose com jogos de raguebi de praia, para queimar as últimas résteas de energia. Enfim, uma memória de locais e de situações que jamais seria possível de transpor para o papel.
E eis quando, em 1989, o Sr. Carlos Alberto Mendes - nessa altura ele próprio também caloiro - surge com uma proposta aliciante: uma vez que era co-proprietário de um terreno de 17 ha, junto à Praia do Rei, onde tinha sido interdita a construção devido à instituição do estatuto da Reserva Natural da Arriba Fóssil, porque não utilizar esse local para um estágio de Verão em regime de acampamento, com treinos na Praia do Rei ?
A ideia concretizou-se logo nesse Verão e, em pouco tempo, o “treino da Aroeira” passava a Estágio Regional, depois a Estágio Nacional, chegando mesmo a reunir karatecas de vários países da Europa.
Claro que, para isso, houve que mudar um pouco o aspecto “selvagem” dos primeiros anos. Quantos karatecas não guardarão ainda na memória o sabor salgado do esforço de abrir, à enxada, a vala para a colocação das várias centenas de metros de conduta de água que hoje permite a todos disfrutar de um bom banho de água doce depois do treino ?
“A Aroeira” foi tudo isto, e foi muito mais também. Mas muito, muito mais poderá ser no futuro se os “pés tenros” deste ano a sentirem pelo menos com o espírito de um cinto amarelo que, há vinte e tal anos, ninguém chamava de “José Patrão” ele era simplesmente o...

Caloiro

 

 

 

 

 

(English version)

Clique aqui para a versão em português

AROEIRA's STAGE HISTORY

The remote history of Aroeira's Stage begins more than twenty years ago an instructor called Francisco Silva - 2nd kyu at that time and an ex-comando, just returned from Guinea war - who proposed to the Karate-Do class of Almada's Judo Club the organization of a "survival trainning session" in the most pure military spirit, which would take place in Comporta (a shore in the southwest of the country) in the middle of August.

As the instructor went on with the psychological preparation of the team of "tenderfeet" telling about the roughness that was expecting out there, the inscription list shorted more and more. This one just remembers now about his parent's holidays, this other gets a mysterious knee ache, etc, etc. What is certain is that by the eve of the "D-day", from the thirty initially inscripted only two braves left, not counting the instructor, of course.

I was given the "fortune" of being one of those lads. Far beyond the harshness of the training sessions you have dishes for each one's taste, from finding wood for the cooking fire in the most arid sea-shore, to meals taken within the smoke of the fireplace in order to escape from a mosquito cloud, passing by 200m "crocodile crawling" without any trace in the sand (!), and night orientation trials, till the last farewell of running 5km barefooted (!) at 2PM on asphalt (the plantain's skin disapeared, of course, right at the first kilometre!)... Well, a polished reception indeed, for two 16 years old boys, untaught, till then, of the military discipline that expected them soon, in the preparation for the colonial war that hanged over every young boy's head like a malignant spectre.

Since this first "stage", the tradition of summer camping mixed with trainning never ceased. The casual “military exaggeration” from the first year calmed down a little, but "ill weeds grow apace"... I remember with nostalgia,the “1001 Taikyoku Shodan’s” session - hours after hours repeating incessantly the “Hajime !” under the moonlight and freshness of the night, in Alpertuche beach, at Arrábida. And the Seiza drill at the “eagle's nest” in the midlst of a cliff one hundred meters above sea. And the camping at Albufeira lagoon, mounting tents in the dark of the night and unmounting them before the sunrise, because of the sea guards. And the traditional apoteosis with beach rugby games, to burn any possible residual energy. Well, a never ending memory of places and situations that I cannot possibly transpose to paper.

And then, in1989, Mr. Carlos Alberto Mendes - he himself a tenderfoot by the time - comes with an enticing proposal: since he was co-owner of a 17 ha terrain, near the Praia do Rei beach, where construction has been interdicted due to the institution of a Natural Reserve statute (Reserva Natural da Arriba Fóssil), why not use that place to a camping summer stage, with training sessions at the beach ?

The idea materialized right in that summer and, in a short delay, Aroeira's trainning evolved to a Regional Stage, then to a National Stage, and it even gattered karatecas from several countries of Europe, in 1993.

Of course the "absolutely wild" look of the Reserve's first years underwent a little change: how many of the actual karatecas would keep in their memories the salty taste of the effort required to open, with hoes, the ditch necessary to install several hundred meters of water conduit which permits today a good fresh water bath after training ?

Aroeira was all this, and also much more. But more, much more than this will it be in the future, should the tenderfeet of this year feel it at least with the spirit of a yellow belt that some twenty years ago no one called "José Patrão" he was just the

Tenderfoot

 

 

 

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