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Sempre que decorre um Estágio Nacional vai sendo hábito assistirmos, da parte do Responsável do Conselho Técnico para o mesmo designado, a uma crítica mais ou menos acerba quanto à insuficiência do trabalho dos Instrutores junto dos alunos da maioria das escolas da nossa Associação. Longe de nós permitirmo-nos discutir a justiça do critério que preside à
crítica; pelo contrário, entendemo-lo pertinente e, sobretudo, necessário,
doutra forma não conseguiríamos assistir a uma desejada evolução constante!
A execução imprecisa do maior número de "paradas e ataques",
aliada a uma quase total falta de objectividade das mesmas por parte dos
praticantes, leva-nos a concordar inteiramente com tal atitude. Isto é um
facto por todos confirmado, impossível de negar, e, como tal, objectivo e
indiscutível.
Quase nos atreveríamos a afirmar que uma involução, impertinente sob todos
os aspectos, se quer impor a tudo aquilo que constitui, e deve sempre
constituir, a nossa única ambição - tornarmo-nos mais aptos e eficazes com
o decorrer dos anos!
Mas mais importante do que a constatação deste facto, e que a meu ver, e que
me perdoem a imodéstia, representa só por si um certo grau de humildade da
nossa parte, é minha opinião também ser devidamente realçada a obrigação
que nos assiste de todos nós contribuirmos para a inversão do sucedido.
E como fazê-lo? É meu entender que antes de mais os Senhores Instrutores se devem esforçar um pouco mais com a aprendizagem dos seus alunos, incutindo-lhes continuamente e com mais persistência o objectivo do Shotokai de Portugal, segundo o método Murakami. A esse esforço deve aliar-se uma maior assiduidade aos Estágios de Instrutores e Assistentes, com o objectivo de estarem sempre ao corrente das directrizes do Conselho Técnico. Deixaria, porém, de ser sincero para comigo próprio, o que contraria os meus hábitos diga-se em abono da verdade, se aqui não deixasse também devidamente realçado que a crise que atravessamos é também imputável aos Dirigentes, mais pormenorizadamente aos membros do Conselho Técnico, melhor dizendo à maior parte dos membros que o constituem. Longe de nós insinuar que o órgão máximo do nosso estilo perdeu os atributos de estilismo e continuidade de trabalho do Mestre, que dele faziam o apanágio de maior realce. Nada disso! Mas então, onde está a coerência do que afirmámos anteriormente? A resposta é simples, e não foi difícil encontrá-la! Tanto bastou para tal que assistíssemos ao último Estágio para Instrutores e Assistentes, que teve lugar no Dojo Murakami da Maia no dia 26 de Maio de 1995. Aí, a questão posta por um dos presentes teve de imediato o apoio da maioria - por que razão os restantes membros do Conselho Técnico não se encontravam presentes neste Estágio, à semelhança de ocasiões anteriores, exceptuando, claro está, raríssimas excepções? Não são os membros do Conselho Técnico também instrutores e, consequentemente enquadrados no trabalho que estava a realizar-se? Conhecemo-los demasiado bem para não admitirmos que tenham optado pelo princípio de Peter; a sua preocupação constante em prosseguirem o Caminho que o Mestre nos indicou é a prova mais evidente de que a razão nos assiste. Certo será enquadrar a sua atitude num estado de manifesta indiferença, e como tal merecedora duma crítica severa, na justa medida em que devem saber que só o convívio directo com os instruendos no decorrer dos Estágios torna possível uma aprendizagem que todos ambicionamos obter. |