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O que Deve Ser o "Patrão"

Diz-nos a dinâmica de grupo, que sempre que vários indivíduos se reúnem em grupo para a execução duma dada tarefa, resulta entre eles um contrato mútuo no sentido de recíproca vizinhança e simpatia.

E, logo após os primeiros contactos, processa-se uma definição espontânea por papéis: cada tarefa é confiada às pessoas especializadas ou mais aptas para a sua execução. Neste sentido, o primeiro passo consiste na definição do individuo a quem se confia a coordenação das actividades desenvolvidas pelos outros membros - isto é o patrão.

O patrão, com carácter de coisa necessária, aparece-nos pois, como um processo de estímulo mútuo, pelo qual, por meios de acções recíprocas bem sucedidas, as diferenças individuais são controladas e a energia humana que delas deriva, encaminhada em benefício das soluções preconizadas.

E assim o patrão será aquele que, pelas suas ideias e acções, influencia o pensamento e a atitude dos outros.

Nos grupos que se constituem para um longo período, o prestígio diferente de que gozam os vários papeis, acaba por criar no grupo uma hierarquia de funções e de especialidades.

De modo geral a hierarquização desenvolve-se segundo duas escalas independentes de valores, representadas pela capacidade técnica (eficiência) e pela capacidade de reunir sinergias (simpatia).

Correntemente, podem distinguir-se abstractamente três formas puras de "patrão" fundamentadas respectivamente na autoridade tradicional, na autoridade carismática e na autoridade institucional.

No primeiro caso, que não interessa aprofundar, bastará para sua compreensão, situar-nos no papel do Mestre Murakami.

A autoridade do tipo carismático, (profetas, heróis, demagogos, etc., etc.), está principalmente submetida à dinâmica psicológica das situações do grupo. Fé cega e obediência absoluta ao Patrão só são possíveis quando as acções dos dois mecanismos convergem.

Freud explica deste modo "Patrão": é a personagem sobre a qual os outros projectam os seus próprios desejos de poder e segurança, acabando por se identificar com ela. Quem assume o papel de Patrão vê-se na dupla necessidade de se destacar dos seguidores (assumindo aparência fora do comum adoptando modos de falar estranhos, tiques, etc., etc.). Quando falha, a admiração e o respeito, transformam-se em ódio e em troça.

A autoridade institucional, que por seu lado está inteiramente baseada no reconhecimento de capacidades efectivas, não necessitando, portanto de unir-se a dotes de popularidade.

Resumindo: patrão é a arte de influenciar e dirigir indivíduos, tendo em vista alcançar-se um fim determinado, duma maneira tal que se consiga da parte daqueles - a obediência, a confiança, o respeito, a cooperação.

Tal consegue-se através duma combinação judiciosa dos parâmetros de patrão: o exemplo, a persuasão e a compulsão.

Esta tríada implica que no exercício da chefia o patrão deve ser tido pelos seus seguidores mais como uma fonte dinâmica e vibrante de direcção - de orientação - e de motivação.......que como......uma simples origem de autoridade.....e isto é assim por razões que decorrem do elemento humano. Conquanto a personalidade varia largamente de indivíduo para indivíduo, as características fundamentais dum patrão são a posse de: uma motivação moral elevada - a integridade de carácter - e uma grande coragem tanto moral como física.

Além disso o patrão deve conquistar o respeito e a confiança dos seus seguidores, pelo seu porte, pelo nível dos seus conhecimentos, pela abnegação, sensatez, lealdade, capacidade de decisão, iniciativa e desembaraço, segurança nas suas decisões, confiança em si próprio, e pela sua energia e força de vontade.

Nota: Por "patrão" deve entender-se: Mestre; Instrutor; Chefe; Comando; Formador; Assistente; O aluno mais graduado do Dojo, enfim, todos os Josés, Paulos e Jorges da nossa terra.

 

Carlos Mendes, 2º Kyu


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