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Palmela e o Mestre

 

Como calculo que a maior parte dos textos sobre a visita a Portugal do Mestre Yanagisawa focarão sobretudo os aspectos técnicos do seu trabalho, pensei que a melhor forma de aligeirar este número da revista que é dedicada à visita, seria falar sobre os aspectos menos formais. Assim vou contar-vos um episódio curioso que se passou a seguir a um treino no dojo de Costas de Cão. O treino tinha sido duro e tudo suspirava já pelo almocinho. No entanto impunha-se mostrar ao Mestre algo mais do que Lisboa e Almada. Optou-se então por dar um pulo a Palmela. Na Estalagem ter-se-ia uma bonita vista sobre o Estuário do Sado e um serviço hoteleiro suficientemente protocolar.

Feita a viagem e tiradas as fotos de circunstância avançámos para a requintada sala de refeições onde uma horda de empregados - impecavelmente fardados - estendeu, a cada um de nós, uma lista que mais parecia um missal. Todos passaram os olhos com um ar entendido pela lista e todos disfarçaram o sobressalto provocado pela leitura da coluna da direita. De qualquer modo era tarde para sair da mesa e já que teríamos que pagar forte e feio ninguém nos chamaria mesquinhos. Perdidos por um, perdidos por cem. Restava-nos a vingança de pedir entradas diversas, queijos, saladas, pratos com nomes completamente desconhecidos, eu sei lá. A excitação aumentava e o barulho também. De repente fez-se silêncio. O Mestre ia pedir!...

Ainda tentámos demovê-lo. Não era digno! Para isso tê-lo-iamos levado à doca de Setúbal. Mas não houve nada a fazer. O Mestre Yanagisawa queria simplesmente comer... sardinhas assadas.

Pedro Paredes, 1º Dan

 


Nota:

No mar do Japão existe muita sardinha e os japoneses comem-na assada na brasa como nós. A diferença é que a cobrem, desastrosamente, com quilos de molho de soja. PP


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