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Alguns
apontamentos subordinados ao círculo judo e o yoga de pátañjali: A
Ascese
Já que falamos de símbolos não posso deixar de referir o símbolo de
Pátañjali, a serpente das mil cabeças. Simboliza as mil ciências que
Pátañjali dominava. Patañjalí era mestre de Yôga, filósofo, médico,
gramático e matemático. Terá escrito, pelo menos, as seguintes obras:
1 - Mahabháshya, o grande comentário à gramática de Pânini.
2 - Charaka, obra de medicina.
3 - Yôga Sútra - sistematização filosófica do Yôga.
O Yôga Sútra transformou o Yôga num dos seis dárshana do Hinduísmo,
ou seja, num dos seis sistemas filosóficos ortodoxos. Outras obras
anteriores existiam. O Yôga provém da civilização dravídica, ou
Indo-Saraswati, anterior às invasões arianas. Após estas continuou a
ser transmitido de modo oral. As primeiras referências escritas
encontramo-las nos Upanishada. Contudo, por não ter um suporte
codificador, no qual fosse sistematicamente definido, ensinado, comentado
e os seus passos libertadores indicados, não era considerado um sistema
filosófico. O Bhagavad-Guitá já se aproxima de uma certa
sistematização, faltando-lhe ainda a definição do que é o Yôga e
qual a metodologia a seguir.
Pela primeira vez na
história do Yôga, no Yôga-Sútra de Pátañjali, o que surge é a
atitude científica, sistemática, experiencial. Surge o questionar
próprio da filosofia. Surge a teorização própria dos sistemas
filosóficos, por oposição aos textos que até aí tinham sido escritos
sobre Yôga, em que o ensinamento era misturado com a fé e as crenças do
autor. É um marco na história do Yôga. A codificação de Pátañjali
tem um valor histórico inalienável. Com esta codificação o Yôga
passou a ter a categoria de dárshana do hinduísmo, alcançou a categoria
de sistema filosófico. Dárshana provém da raiz drs, que significa
vista, ver ou visão, observar ou compreender. Do que resulta o
significado de ponto de vista. São seis os sistemas ortodoxos do
hinduísmo (1).
Pátañjali ao codificar o Yôga transformando-o num dos sistemas
filosóficos do hinduísmo, alterou-o, até adulterou-o, mas ao mesmo
tempo salvou-o. Possibilitou que não se perdesse e chegasse até nós,
até aos nossos dias.
O sistema criado por Pátañjali tem oito partes, ou anga, daí que
também seja conhecido por ashtanga Yôga - Yôga das oito partes. É uma
sistematização de ascese que pretende conduzir o ser humano passo a
passo à transcendência. O Budô e as artes que o integram, tendo como
objectivo imediato a eficácia em combate é certo que têm como objectivo
ulterior o alcançar de um estado de transcendência. O guerreiro procura
alcançar numa primeira fase o estado de tatsujin, o super-homem, o homem
completo. E se o conseguir procura ser um meijin, um ser de excepção, um
mestre que já transcendeu a condição humana. Estas artes também têm o
seu caminho ascendente, composto de vários passos ou partes. Em todas as
filosofias de desenvolvimento do ser humano, há sempre na base um código
ético. Este código existe no Judo e no Yôga de Pátañjali. Desde logo
está subjacente às artes marciais japonesas, o Bushidô.
(1) De tendência
naturalista são o Yôga e o Sámkhya. São das mais antigas tradições
da Índia, pertenciam à cultura dravídica e foram mais tarde
incorporados ao hinduísmo. De tendência teísta, recorrendo ao conceito
de Deus para a explicação da cosmogénese são o Vêdánta, também
designado por Uttara-Mimansa e o Mimansa, também designado por
Purva-Mimansa. Os outros dois sistemas são o Nyáya e o Vaishêsikha,
considerados sistemas científicos. No entanto estas duas escolas estão
quase extintas não possuindo seguidores.
(continua)
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